RSS

Video do Genocídio da Policia Portuguesa contra Jovens Negros

Este vídeo, realizado pela PLATAFORMA GUETO descreve os casos de assassinato de jovens negros, que têm sido alvo de genocídio levado a cabo pela policia portuguesa, de há uns anos para cá. Nós temos que garantir até às ultimas consequências que esses acontecimentos deixem ser realidade. Associar esses jovens com criminalidade, não pode servir de pretexto para tirar vidas. O direito à vida é o direito primordial. O estado português e a sociedade portuguesa não podem continuar a lembrar-se desses jovens apenas no momento de premir o gatilho. Onde se escondem no momento de prevenir ou evitar as circunstâncias sociais que empurram alguns jovens de origem africana para o desvio?  Temos que admitir que há algo de muito errado neste pais, no que toca às relações raciais. Há uma responsabilidade coletiva que tem de ser assumida. Negar a realidade e especificidade do racismo sistémico, altamente institucionalizado, e continuidade inegável do colonialismo português, tendo particularmente como alvo  negros e negras residentes em Portugal, (como faz o governo e organismos como o ACIDI) não é o caminho que se deve seguir.

E quanto a nós, população negra, não podemos continuar a viver tranquilamente, a cantar e a dançar despreocupadamente enquanto a nossa comunidade é brutalizada. Lutar contra a violência policial e a violência do estado é uma questão da nossa dignidade e auto-respeito.  Quer vivamos nos bairros ou não, em barracas, em prédios ou vivendas, é a comunidade no seu todo que é atacada, de cada vez que um irmão nosso é assassinado. Os policias na hora de matar não olham pelo bairro ou zona em que vivemos, muito menos se nascemos na Europa ou não, nem se somos mais claros ou mais escuros. O que conta para eles é a “marca” de ser negro/a. Unidos, venceremos.

 
1 Comentário

Publicado por em Fevereiro 27, 2015 in Plataforma Gueto

 

Dia Internacional de Ação 21 de Fevereiro de 2015, Arrentela

 

Os acontecimentos da ultima quinta feira na Cova da Moura, confirmam que as  autoridades portuguesas não tem o mínimo respeito pela dignidade e humanidade das comunidades negras em Portugal, o que aliás já tem sido demonstrado  sistematicamente através da utilização desmedida da violência, numa base diária em vários bairros, e do assassinato impune de jovens negros. Esses atos exigem a mobilização de todos e todas. No dia 21 de Fevereiro, a Plataforma Gueto realiza uma Assembleia, na Arrentela, que terá como um dos temas principais, a violência policial. A presença de todas as pessoas de origem africana residentes em Portugal nesse dia, é vital. A mudança está nas nossas mãos. É urgente acabarmos com essa brutalidade que nos tem atingido. É hora de dizer BASTA a todos os abusos que temos sofrido.  Contamos com o vosso apoio

10965862_1045064572186990_827984702_n

                                                                                                                                      PROGRAMA

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em Fevereiro 8, 2015 in Plataforma Gueto

 

Déclaration de Solidarité de la “Plataforma Gueto“ avec le “Parti Des Indigènes de la République“, de France.

     La “Plataforma Gueto“, Mouvement social noir anti-raciste, basée au Portugal, vient par la présente, condamner publiquement la tentative sournoise  et sans scrupules  d’attribution d’une partie de de la responsabilité au «Parti Des Indigènes de la République » (PIR) pour l’attaque du 7 de ce mois-ci à Paris, qui a été fait contre le siège du Journal satirique Charlie Hebdo. Nous considérons perverse, étroite et mal placée cette association, et une tentative claire de instrumentalisation  et utilisation politique des attaques – que nous condamnons – qui vise à la  promotion de l’agenda de l’extrême droite française.

      Jeanette Bougraf, ancien ministre de droite, de l’UMP, a déclaré que les partis de gauche portent la responsabilité, pointant le PIR comme un contributeur majeur, car ils ont fortement accusé Charlie Hebdo du racisme et d’islamophobie, une charge qui nous a semblé juste, logique et nécessaire. En outre, l’attitude de PIR, à notre avis, représente un immense sentiment de responsabilité sociale, faisant face à une situation dans laquelle la liberté d’expression est au-delà de ses limites, comme c’était le cas. Il n’est pas acceptable d’utiliser ce droit pour ridiculiser les musulmans, leurs croyances et leur religion. Charlie Hebdo a exhorté à la négro-phobie et l’islamophobie, ce qui montre un manque excessif de la responsabilité sociale, et  certainement cette action a contribué à  l’augmentation du climat de la peur et hostilité par rapport à ces groupes «minoritaires», aboutissant souvent à des attaques violents contre les institutions islamiques et contre les personnes racialisées de la société française. Nous nous sommes souvenus d’une de ces caricatures qui comparait la ministre française de la Justice, Christiane Tabira, une femme noire, avec un singe.

    Il est ironique que le même journal qui professait la lutte contre l’extrémisme religieux et l’intolérance, souvent crachait négro-phobie et islamophobie, sans égard à l’impact que cette attitude pourrait avoir sur ces groupes.

Le racisme journalistique de Charlie Hebdo, intentionnellement ou non, a été utilisé en tant qu’argument légitimant la participation du gouvernement français dans de nombreuses guerres impérialistes dans diverses parties du monde, notamment au Moyen-Orient et en Afrique où de nombreux musulmans et  africains ont été tués.

    De la même façon qu’il est considéré que Charlie Hebdo était en plein usage de leur droit à la liberté d’expression pour faire ces cartoons, le PIR est aussi dans son plein droit d’utiliser leur liberté d’expression pour accuser le journal d’islamophobie, ces critiques, qui étaient nécessaires. Prenant tout cela en compte, nous pensons qu’il est regrettable que les politiciens comme M. Bougrab – sans oublier le député franco-israélien Habid – tentent d’instrumentaliser les décès (qui à nos yeux sont répréhensibles) du 7 de ce mois-ci, pour promouvoir le programme de l’extrême droite française en particulier, et de l’extrême droite européenne en général. Cette même extrême droite cherche farouchement a coupé les droits des immigrants et défavorisés, cherche astucieusement, par sensationnalismes et les craintes, une répression accrue de l’Etat sur les groupes dits minoritaires qui le PIR défend, et dont les droits a défendu, en combattant l’exclusion sociale, la violence et le racisme institutionnel.

Lisbonne, le 12 Janvier 2015.

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em Janeiro 12, 2015 in Plataforma Gueto

 

Declaração de solidariedade da “Plataforma Gueto” com o “Partido dos Indígenas da Républica”, de França.

A Plataforma Gueto, Movimento Social Negro Antiracista, com base em Portugal, vem condenar publicamente a tentativa ardilosa e sem escrúpulos de atribuição de uma parte das  responsabildades do ataque do dia 7 deste mês, em Paris,  feito  ao Jornal Satírico Charlie Hebdo,  ao Partido dos Indigenas da Républica ( Parti de Les Indigénes de La Répúblique – PIR). Considerámos perversa, tacanha e descabida essa associação, e uma tentativa clara de instrumentalização e aproveitamento político dos ataques – que condenámos -para a promoção da agenda da extrema direita francesa.

Jeanette Bougraf, ex-ministro da direita da UMP,  afirmou que os partidos da esquerda carregam responsabilidades, apontando o PIR como um dos principais,  por estes terem acusado fortemente Charlie Hebdo de racismo e islamofobia, acusação da qual achámos justa,  lógica e necessária. Além disso, a atitude do PIR, a nosso ver,  representa um enorme sentido de responsabilidade social, quando a liberdade de expressão ultrapassa os seus limites, como foi o caso. Não é aceitável que se use desse direito para ridicularizar os muçulmanos, suas crenças e a sua religião. Charlie Hedbo incitou a negrofobia e islamofobia, o que demonstra uma excessiva falta de responsabilidade social e, quiça, essa acçãa, certamente, contribuiu para o aumento de ambiente de medo e hostilidade a esses grupos “minoritários”, culminando, muitas vezes, em  ataques violentos contra as instituições islámicas e contra as pessoas racializadas da sociedade francesa. Lembrámos de um desses cartoons, em que comparavam a Ministra Francesa de Justiça, Christiane Tabira, uma negra, com uma macaca.

É irónico que o mesmo jornal que professou o combate ao extremismo religioso e à intolerância, muitas vezes, cuspia lavres de negrofobia e islamofobia sem levar em conta o impacto que esta atitude teria sobre esses grupos.

O racismo jornalístico de Charlie Hebdo, intencionalmente ou não, serviu de argumento legitimador para o envolvimento do governo francês em muitas guerras imperialistas, em  várias partes do mundo, principalmente, no Médio Oriente e em África onde muitos muçulmanos e africanos foram mortos.

Da mesma forma que se considera que Charlie Hebdo estava em pleno uso do seu direito de liberdade de expressão de fazer aqueles cartoons, o PIR também está em seu pleno direito de usar da sua liberdade de expressão para acusar o jornal de islamofobia, critícas foram necessárias. Posto tudo isto, considerámos lamentável que políticos como senhor Bougrab – sem esquecer o deputado franco-israelita Habid – tentem instrumentalizar as mortes (que aos nossos olhos são condenáveis) do dia 7 do corrente mês, para a promoção da agenda da extrema-direita francesa, em particular, e da extrema-direita europeia, em geral. É essa mesma extrema direita que procura ferozmente cortar os direitos dos imigrantes e dos desfavorecidos; que procura ardilosamente, através de sensacionalismos e medos, o aumento da repressão estatal sobre os chamados grupos minoritários, que o PIR defende, e cujos direitos tem defendido, combatendo a exclusão social, a violência e o racismo institucional.

Lisboa, dia 12 de janeiro de 2015.

Plataforma Gueto

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em Janeiro 12, 2015 in Plataforma Gueto

 

Assine a Petição contra a Violação, Assassínio e Destruição Sistemática de Pessoas de Origem Africana na Inglaterra http://www.ipetitions.com/petition/stop-the-violation-killing-and-systematic

STOP Poster A4_v2

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em Janeiro 7, 2015 in Plataforma Gueto

 

Tradução _ Ain´t I a Woman. Black Woman and Feminism”

Ser Mulher. Ser Negra. Ser Feminista. “Ain´t I a Woman. Black Woman and Feminism” de bell hooks

bell hooks (Gloria Watkins) nasceu em Kentucky nos Estados Unidos da América numa família com seis filhos (cinco raparigas e um rapaz) de educação sexista. Escolheu para si o nome bell hooks em memória à sua avó materna e por ser identificada com ela por ter “resposta na ponta da língua”. Intelectual negra, académica, licenciou-se em inglês pela Universidade de Standford e doutorou-se em literatura pela Universidade de California Santa Cruz. Já escreveu mais de trinta livros e com 19 anos escreveu o livro “Ain’t I a Woman” com o objetivo de documentar o impacto do sexismo no estatuto social das mulheres negras.

bell hooks mostra-nos como é importante para as mulheres negras terem voz na luta contra o sexismo. Por isso afirma no título do seu livro a voz do discurso de que no século XIX num encontro onde se discutia o direito ao voto para o povo negro, e se defendia esse direito apenas para exercício dos homens negros, pois as mulheres eram vistas como frágeis e incapazes de descer duma carruagem sozinhas. Perguntando repetidamente “ain’t I a woman”, Sojourner Truth se disse ser uma mulher ainda que trabalhasse e fosse castigada como um homem e que visse os seus filhos serem vendidos para serem escravos. Afirmando a especificidade da mulher negra, afirmou que não haveria mudança se apenas dessem o direito de voto aos homens negros.

Neste livro bell hooks demonstra com evidência como o feminismo negro nada tem a ver com o movimento feminista tal como é conhecido genericamente. bell hooks dedica muitas páginas atestando o racismo das mulheres brancas e o serviço que o movimento de mulheres brancas tem prestado a interesses oportunistas de procura de ganhos e privilégios a uma classe média e média-alta, que buscam essencialmente entrar no domínio político, económico e social dos homens brancos e do patriarcado.

O movimento feminista branco é visto por bell hooks como a luta das mulheres que querem fazer parte do poder que as domina e não a luta que pretende destruir o poder dominante. Estas mulheres são para bell hooks “mulheres que têm uma ideia escrava da liberdade – a forma de o dono viver é o seu ideal de liberdade e de vida”.

Em todo o livro é afirmado que a opressão sexista é uma ameaça real para nós, tal como a opressão racial. bell hooks interpreta criticamente a situação histórica do momento de luta pelo direito ao voto para o povo negro norte-americano, no qual as mulheres negras apoiaram o exercício de voto apenas para os homens negros. Para bell hooks, essas mulheres negras agiram apenas contra a opressão racial e nada fizeram contra a opressão sexista. No seu entender, tal dilema não deve existir na nossa luta política e devemos agir em conjunto contra uma e outra opressão.

bell hooks afirma também que ao naturalizarmos a condição de subjugação das mulheres negras em relação ao homem, ao aceitarmos o poder, o prestígio e as prerrogativas para os homens (o patriarcado), pomos em causa a nossa liberdade na condição de povo negro, pois de acordo com as suas palavras “não poderá haver liberdade dos homens negros enquanto eles defenderam a subjugação das mulheres negras”.

Esta constatação torna indissociável a luta contra a opressão do racismo da luta contra a opressão do sexismo, pois a libertação de um povo não pode ser feita de forma fragmentada. Se a luta contra o racismo exige união do povo negro e se o sexismo divide homens e mulheres negros em dominadores e submissos, uns e outras têm de se libertar de papéis sexistas e de se dominarem e serem dominados, para que unidos e livres possamos destruir o racismo que a todos condena.

Vendo os homens negros como opressores das mulheres negras, principalmente aqueles que lutam contra o racismo reclamando o direito à participação total na cidadania americana sem questionarem os valores dessa cultura (patriarcal, capitalistas e imperialista), bell hooks afirma que “o racismo separa os homens negros dos homens brancos e o sexismo une esses dois grupos”.

bell hooks afirma neste livro que os homens negros precisam de questionar o seu direito ao patriarcado e deixar de nos ver como subordinadas na esfera política e famíliar, não se mostrando superiores a nós e afirmar a violência como a sua primeira forma de uso de poder.

Para bell hooks a ideia de que as mulheres são inerentemente inferiores e que um ser humano pode dominar outro com base na sua condição sexual, é generalizada nos homens negros e foi reforçada pelo homem branco colonizador. Esta aliança ideológica patriarcal entre o homem branco e o homem negro, deve ser rompida pelos homens negros que lutam contra o racismo.

No que às mulheres negras diz respeito, bell hooks alerta para os mitos que foram criados para nos desvalorizar, pois o domínio não é possível sem a desvalorização, pelo que devemos recusar estas ideias generalizadas sobre nós.

O mito de que somos fortes, quando todas as outras mulheres são vítimas do homem inimigo (outro mito), faz com que soframos silenciosamente todas as opressões da nossa vida. A capacidade de aguentar o sofrimento não é força, é vitimização. Força seria se fossemos capazes de nos transformar ou de nos libertamos. Não devemos por isso ser fortes aguentando sozinhas a criação dos filhos, a exploração do trabalho, a violência racial e a violência masculina. Devemos ser fortes procurando lutar contra isso.

Outro mito criado sobre nós nos Estados Unidos da América é que somos sexualmente selvagens e más. Este mito legitimou a violação de mulheres negras durante a escravatura, a nossa exploração sexual após a emancipação e ainda justificou o menor número de relações inter-raciais entre nós e os homens brancos, comparativamente ao número de relações inter-raciais entre homens negros e mulheres brancas.

O mito da mulher negra matriarca e desmasculinizadora do homem negro, erra, na visão de bell hooks ao chamar de matriarca quem garante o papel de mãe e o sustento económico, tendo pouco ou nenhum poder político e social. bell hooks atribui a desmasculinização do homem negro não à mulher negra, mas ao racismo que o explora economicamente de tal forma que lhe fere a sua dignidade humana. Acusa como grande difusor deste mito Moynihan, que num relatório feito após a escravatura, caraterizava as famílias negras como disfuncionais devido à “excessiva afirmação” da mulher negra que conduzia à desmasculinação do homem negro. bell hooks justifica esta disfuncionalidade no sofrimento, na ausência de afeto e no quotidiano violento que sofremos na escravatura e que continuamos a sofrer após a emancipação.

Esta autora defende o feminismo como uma luta absolutamente necessária para nós, não para que exijamos ser igual aos homens (brancos) pois não pretendemos ter direitos à exploração económica e à dominação racial e imperialista, não pretendemos usar o poder que “nega a unidade, a conexão comum e é inerentemente diviso”; mas porque buscamos liberdade, ou seja, “a igualdade social que garante a todos a oportunidade de modelar o seu destino e só pode ser completa quando o nosso mundo não for mais racista e sexista”.

O feminismo é para bell hooks a luta que destrói a hierarquia sexual, racial e de classe na medida em que reconhece a união entre os sistemas de opressão e a necessidade de agir eficazmente entre estes, rompendo com os mecanismos que nos separam, que nos fazem competir ou dominar.

Tomar consciência e dizer-se feminista é insuficiente para se ser feminista. Ser feminista na visão de bell hooks é o ato de trabalhar conscientemente para nos conduzirmos para fora da socialização negativa. “Ser feminista é querer que todas as pessoas, femininas ou masculinas, se libertem dos padrões dos papéis sexistas, da dominação e da opressão”.

A Plataforma disponibiliza a tradução deste livro em português no site, na esperança de que mais do que dizermo-nos feministas, possamo-nos inspirar na sua leitura e agirmos unidos contra os sistemas que nos oprimem.

Clica aqui para descarregar  Não Sou eu uma Mulher_traduzido

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em Dezembro 10, 2014 in Plataforma Gueto

 
Vídeo

Ferguson Fala

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em Novembro 30, 2014 in Plataforma Gueto

 
 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 256 outros seguidores