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A falácia do “racismo inverso” – JOACINE KATAR MOREIRA

Acreditar no racismo dos oprimidos para com os opressores exigiria que entrássemos numa máquina do tempo que revertesse a História.

A atenção. “Attenção: Vende-se para o mato uma preta da costa de idade de quarenta e tantos annos, muito sadia e bastante robusta, sabe bem lavar e cozinhar o diário de uma casa, vende-se em conta por haver precisão, no beco Largo, n. 2. Na mesma casa vende-se uma tartaruga verdadeira.”

O protesto. “Protesta-se com todo o rigor das leis contra quem tiver dado, e der coito a escrava do abaixo assignado, fugida de seo poder na freguezia do Queimado desde 7 de fevereiro do corrente anno; e gratifica-se, conforme a trabalho da captura, á quem a prender, e levar ao dito seo senhor ali, ou mete-la nas cadêas da capital. […] Levou uma filha de sua côr, que terá pico mais de anno de idade. O padre Duarte.”

A fuga. “Escravo fugido. Acha-se fugido desde o dia 3 de março passado, o escravo de nome Joaquim, de nação Congo, edade 61 annos, mais ou menos, côr preta, cabelos brancos, tanto os da barba como os da cabeça, olhos grandes, bons dentes, bastante baixo, tendo o dedo grande da mão direita mutilado.”

Estes excertos, expostos no Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro, em Cacheu — importante entreposto comercial de escravizados na Guiné-Bissau —, ilustram a forma como as relações raciais, fruto do colonialismo e da Escravatura, passaram da “diferença negativa à coisificação do Africano” (Isabel C. Henriques), comparado, tratado e marcado como animal doméstico, de carga e de serviço, retirando-lhe toda e qualquer dignidade e submetendo-o às mais brutais violências e, com o tráfico negreiro, sujeito a uma desumanização de difícil equiparação na História mundial. A vida média de uma pessoa uma vez escravizada era, aliás, de dez anos, como observou António Carreira em Notas sobre o Tráfico Português de Escravos, de 1978.

O comércio transatlântico de pessoas escravizadas foi legal e sujeito a impostos como qualquer outra transação. A Igreja Católica suportou religiosa e moralmente a Escravatura, que tinha propósitos essencialmente comerciais e políticos. Mais tarde, a Revolução Industrial, cujo motor foi o algodão (Sven Beckert) — algodão este cultivado por gente escravizada nas Américas, como recordou Noam Chomsky —, originaria o fim legal do tráfico, mas não o da Escravatura, que servia a industrialização e o desenvolvimento a Ocidente por mais algum tempo. Marcus Rediker destaca a centralidade da Escravatura e do trabalho forçado no surgimento do capitalismo, considerando que “os navios negreiros foram o vector da produção das categorias de ‘raças’”. E é deste contexto que surge o que denominamos de racismo, uma opressão histórica, violência sistémica, uma relação de poder e de profunda desigualdade. E é por isso que o racismo está intrinsecamente, e historicamente, ligado à inferiorização dos negros (e não dos brancos).

Neste quadro, acreditar na existência de “racismo inverso”, ou seja, no racismo dos oprimidos para com os opressores, exigiria, como ironizou o comediante Aamer Rahman, que entrássemos numa máquina do tempo que revertesse a História e alterássemos as posições de poder. Mas não há forma de reverter a História, mesmo com tentativas várias de naturalizá-la, de negá-la ou de manipulá-la. Torna-se pois importante ter atenção ao tempo em que vivemos, onde se continua a insistir em paradigmas do passado, recusando-se mudanças estruturais.

Avalizar o “racismo inverso” é tentar boicotar o movimento anti-racista, silenciar as vozes negras e subalternizadas que legitimamente se levantam, tentando também reduzir o racismo a uma questão de “natureza humana”, portanto natural. Em tal equação toda a gente pode ser racista com toda a gente, esquecendo que nesse “toda a gente” há gente que oprime e gente que é oprimida; há gente que detém o poder e gente que luta pela visibilidade dentro das sociedades em que se encontra; e há gente que usufrui ainda hoje do privilégio da herança escravocrata e gente que, pelo contrário, carrega esse fardo, que se traduz na segregação racial, na pobreza e na exclusão social.

A atenção. As associações de afrodescendentes caracterizam o “racismo inverso” como “uma tentativa de legitimação do contínuo controlo exercido sobre povos que sofreram séculos de opressão, por medo de uma hipotética retaliação” (AFROLIS); “uma construção daqueles que pretendem fugir à discussão do verdadeiro problema: o racismo estrutural” (DJASS); “um modo de mascarar o racismo perverso e silencioso em que vivemos” (FEMAFRO); “uma reação por parte de quem deseja preservar uma estrutura racista que lhe confere certos privilégios” (PLATAFORMA GUETO). Sintetizando: “o racismo inverso não existe”, sendo que o que existe é ”uma resposta de ‘auto defesa’ de quem sofre a discriminação racial” (SOS RACISMO).

O protesto. O racismo implica uma expressão colectiva marcada pela história, pelo poder e pelo epistemicídio africano, o que faz com que mesmo quando é protagonizado por um só indivíduo, este fá-lo com base num contexto que sustenta e demarca historicamente o seu comportamento. Um negro pode discriminar e ser preconceituoso com um branco, mas não pode ser racista com ele, porque este último não tem estruturas (históricas, politicas, económicas e sociais) que o oprimam com base no seu fenótipo.

A fuga. Aos que acreditam na falácia do “racismo inverso” ou na subtileza do racismo em Portugal, repito o exercício que Jane Elliot fez com a plateia de uma conferência nos EUA: quem gostaria de ser tratado como os negros são tratados neste país, que se levante!

A autora escreve segundo as normas do novo Acordo Ortográfico

 

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Publicado por em Julho 17, 2017 em Plataforma Gueto

 

Excecionalidade Jurídica do Gueto e Legitimidade do Uso da Força

Debruçar-me sobre um assunto onde há vítimas acaba por colocar-me numa situação de desconforto e desconfiança moral, porque estarei ou não a aproveitar-me da dor do outro para pronunciar-me sobre uma ocorrência. Confesso que em relação a esse tipo de situação, descrevi num poema como uma espécie de canibalismo mediático comportamento típico das sociedades baseadas em redes sociais e onde todos manifestamos consternação sobre algo com quem não possuímos nenhum tipo de intimidade. Procurando obter um conjunto de likes ou de comentários sobre uma situação que é de todo alheio a nós mesmos. Por isso, afastar-me-ei do lugar de vítimas ou agressor, antes prefiro atender ao fenómeno da violência policial na realidade portuguesa tout cour.

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A este texto decidi intitular a excecionalidade jurídica do gueto e legitimidade do uso da força. Para muitos, a violência policial nos bairros periféricos constitui uma novidade, mas eu afirmo que a violência policial nos guetos de Lisboa e não só é uma realidade presente diariamente, tornando-se efectivamente uma necessidade do próprio Estado português para afirmar o seu poder dentro da sua jurisdição territorial. Nesta precisa senda, institucionalizou uma zona de exclusão social e política que em termos de medidas de segurança e administração do território são descritas geograficamente como Zonas Urbanas Sensíveis, a bem dizer, zonas de perigo iminente. Com isto, a política de colocação de quadros das autoridades policiais obedece este princípio. Assim, os polícias mais dotados física e mentalmente para recorrer aos meios de violência são colocados nas esquadras que estão encarregues dos guetos.

De forma a fazer jus da necessidade de imposição da autoridade do Estado, adotou-se uma linguagem de criminalizar uma comunidade antes de qualquer sujeito cometer um crime sequer. Entramos, assim, numa lógica de criminoso potencial e de culpado por ter uma determinada característica étnica, resvalado para o campo biopolítica, visto que há sujeitos que possuem ADN de criminoso. No entanto, esta necessidade de poder político vigente apenas resulta, pois, este constitui um inimigo político que serve para alimentar a sua ação política coletiva em prol da proteção em favor dos nacionais, conforme perspetivou Carl Schmidt. Este inimigo é quase sempre uma minoria política que não dispõe dos meios suficientes para garantir a sua devida proteção jurídica e política contra o poder do Estado e da propaganda jornalística sensacionalista.

Estes dispositivos descritos acima entram em concordância com a visão de poder desenvolvida por Michel Foucault, onde o autor salienta que o saber e o conhecimento são duas formas do poder moderno e não propriamente a violência física. A desconstrução do conceito de poder típico da sociologia e ciência política permite-nos entender a razão da violência contra a população do gueto. O desenvolvimento de novas técnicas de policiais, segurança e treinamento só podem ser testadas em zonas de excecionalidade jurídica e onde os seus habitantes já estão condenados social e politicamente de forma aceitaram ser alvos da violência estrutural do Estado, caso contrário, torna-se difícil aplicar novas técnicas. Por exemplo, as autoridades portuguesas adquiram carros blindados para o policiamento da passagem de Barack Obama por Lisboa, então Presidente dos EUA, mas não tinham como dar uso a esse instrumento, pelo que aproveitaram e entraram num gueto com tais carros, procurando testar a efetiva validade dos carros blindados. Tal atitude poderá ser adotada numa zona de pleno direito dos seus habitantes sem gerar contestação social e política? Estou certo que não.

Assim, não devemos mitificar o assunto da violência policial no gueto como tal, porque as autoridades portuguesas dão a devida cobertura aos polícias para atuarem dessa maneira. Isto nem sequer deveria constituir uma novidade para os portugueses, pois bastariam ter uma noção do papel histórico de Portugal no desenvolvimento de novos mecanismos de violência contra aos negros para terem uma maior consciencialização desse fenómeno. Desde as sanzalas, os musseques, os campos de trabalho forçado, as prisões políticas e, atualmente, os guetos. Estas foram zonas pautadas pela excecionalidade jurídica, onde o uso da violência era consentida como uma necessidade de assegurar o sentimento de segurança dos portugueses, desrespeitando o direito mais básico do ser humano, subalternizando o negro ou pobre a uma condição de não-ser. Para este efeito, a população que vivia nessas zonas estava automaticamente condenada. Assim, não estou surpreso com essa postura das autoridades portuguesas, considerando que são práticas que estão presentes ainda hoje no Estado Português do pós-colonial. Fico-me por aqui hoje na abordagem sobre essa matéria, mas voltarei a debruçar-me sobre assunto, de forma a desmistificar a ideia de que o Estado português não se mantém colonial, porque um Estado transporta dentro de si um ADN de violência estrutural.

 
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Publicado por em Julho 17, 2017 em Plataforma Gueto

 

Sobre o Despacho do Caso 5 de Fevereiro de 2015

      A Plataforma Gueto vem por este meio dizer que recebeu com muito agrado o despacho do Ministério Público sobre o caso de 5 de fevereiro de 2015. No passado dia 11 de julho de 2017, segundo o despacho, 18 agentes da Polícia de Ordem Pública (PSP) da Esquadra de Alfragide foram acusados pelo Ministério Público de prática de crimes de denúncia caluniosa, ofensa à integridade física qualificada, falsidade de testemunho, tortura e outros tratamentos cruéis, degradantes ou desumanos, acrescidos de falsificação de documento agravado e sequestro agravado. Além disso, segundo o despacho, os agentes da esquadra de Alfragide foram movidos pelo sentimento de ódio racial a fim de causarem sofrimento aos seis jovens do bairro Alto da Cova da Moura no dia 5 de fevereiro de 2015. Um acaso que afetou um dos nossos militantes e apoiantes. O caso foi recebido com espanto por parte dos portugueses, o que evidencia que desconhecem a sua própria sociedade. Porém, é preciso esperar pelo julgamento para ver o que vai acontecer! Não vamos lançar foguetes antes da festa! Trata-se de um bom precedente. Mas, o que não faltam são casos de racismo acompanhado de tortura nos bairros negros de Lisboa. Por exemplo, na passada sexta-feira, uma Polícia da Amadora brutalizou um jovem negro. E quando o jovem perguntou qual razão de estar a ser agredido, o policial respondeu que é porque o jovem estava a olhar para ele. Veja-se se isso é possível. A verdade é que não há respeito pelo Estado de direito nesses bairros. Isto é, o corpo negro habita a zona do não-ser e esta zona não é abrangida pelo Estado de direito porque o estado é ontologicamente branco, masculino e burguês. Por essa razão, a polícia se comporta nesses bairros como se estivessem num estado de guerra.  Por essa razão a violência racista da Polícia contra esses jovens negros é tomada como algo justificável. Não é isso que acontece nesses bairros? Há uma linha que separa os humanos dos considerados não-humanos ou sub-humanos. No bairro dos humanos, ou seja, no bairro dos brancos os agentes respeitam a lei, pode-se conversar, há possibilidade para o diálogo, negociação, etc. No caso dos bairros habitados por negros, o que existe é estado de exceção. Não existe possibilidade para diálogo e muito menos negociação. Na Cova da Moura ou noutro bairro qualquer de maioria, a tentativa de estabelecer um diálogo com a polícia é visto pela própria polícia como manifestação de desordem. A exigência do negro pelo respeito pela sua dignidade humana é tomada como desacato à autoridade. Não foi isso que aconteceu com os jovens do caso de 5 de fevereiro, que foram pedir informação sobre o estado do jovem que tinha sido brutalizado. E foram recebidos com tiros e pontapés!?

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     Essa atitude é corroborada pela nossa prática ativa dos nossos bairros. Porque durante vários anos, a Plataforma Gueto fez campanhas, através daquilo que nós chamámos de Manual de Sobrevivência: como te defenderes da violência policial”. Esse manual explica às pessoas os seus direitos e deveres. Essa iniciativa foi feita não porque acreditávamos que saber as leis daria algum tipo de proteção a nossa população. Mas sim para que a população tivesse a noção que os seus direitos não eram respeitados. Uma prática que visasse despoletar a consciência da população. Então, o que passou a acontecer é que quando os jovens negros citavam as leis á polícia, muitas vezes, eram atacados na mesma. E a Polícia dizia “este preto quer me ensinar as leis”. E os irmãos e irmãs passaram a temer citar as leis à Polícia. Isso mostra que o próprio Estado anda a violar as suas próprias leis. Durante mais de uma década acompanhámos e denunciámos os casos de violência sistemática e racista por parte das polícias portuguesas. Essa campanha foi feita tanto em Portugal como nos restantes países europeus. Aqui, em particular, fomos taxados de loucos, exagerados, mentirosos, dramáticos. Até por parte de pessoas que se consideram “os melhores amigos dos pretos”. Todas as autoridades competentes meteram a cabeça na areia que nem avestruz e fingiram que nada se passava, inclusive o Alto Comissariado para as Migrações, que agora diz ter acompanhado esses casos. É uma falácia. Por incrível que pareça, quando questionámos a inércia dessa instituição, chamaram-nos de extremistas da esquerda e da direita. O que é ridículo. Os partidos, da esquerda à direita, também tiveram essa postura, salvo neste caso concreto. Mas é preciso perguntar porquê que isso acontece? Porquê há essa relação violenta entre a polícia e os jovens negros? Simplesmente porque o colonialismo oficial acabou mas a sua ideologia e os seus valores se perpetuam. O que assistimos são resquícios do colonialismo. Se só agora o Ministério Público tomou essa atitude é porque o próprio racismo e o seu espirito negacionista contribuíram para tal.

     Por fim, queremos dizer ao nosso povo que o despacho do Ministério Público é um marco histórico, mas há ainda muito por fazer a fim de erradicar o racismo institucional existente no corpo da polícia, nos tribunais, nos partidos, nos meios de comunicação, ou seja, em todas as instituições públicas e privadas desta sociedade. É preciso questionar o privilégio branco que funciona em detrimento dos povos racializados, aos quais foram historicamente negados o direito à humanidade. Não nos devemos embarcar nos entusiasmos. Devemos nos organizar de forma cada vez melhor para enfrentar lutas futuras. E para não sermos apanhados desprevenidos. A transformação só advém com a luta, porque se o negro hoje tem alguns direitos é porque os nossos antepassados lutaram e sangram por isso.

Sem Justiça, Não haverá paz

Plataforma Gueto

 
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Publicado por em Julho 15, 2017 em Plataforma Gueto

 

O DEBATE RACIAL EM PORTUGAL: ENTRE A AFASIA E A DISSONÂNCIA COGNITIVA

Quase sempre quando participo em debates em que o tema é o racismo, observo que quando negros narram os ataques racistas vivenciados, os brancos entram em choque. Parece que é o fim do mundo. Entram em negações e mais negações. E muitas das vezes, o debate sobre o problema nem chega a acontecer. Isto é, muda-se de assunto e entra-se em “desvaneio”. Há um boicote de forma (in) direta. Isto aconteceu-me recorrentemente entre 2005 e 2010. Porém, ainda acontece com muita frequência. Podia até elencar uma longa lista de debates e situações que presenciei sobre este tipo de comportamento. No entanto, prefiro mencionar somente os temas em específico que geram tamanho desconforto: o direito automático à nacionalidade portuguesa aos filhos de imigrantes, nascidos em Portugal; a demolição dos bairros onde a população maioritariamente é negra e quase sempre as pessoas são desalojadas, tratadas como lixo, tal como está acontecer atualmente na Amadora; a criminalização da juventude negra portuguesa e imigrante; a questão do racismo no emprego; o silenciamento da violência da escravatura transatlântica e da violência colonial nos manuais escolares; ou ainda, os percursos curriculares alternativos que estão a amputar a nossa juventude; a medicalização das crianças negras consideradas “problemáticas” pelas escolas; o Lagartilho nas prisões e a morte de jovens negros nas prisões; as rusgas feitas pelo Serviço de Imigração e Fronteiras dento e na entrada dos bairros e também nas estações de metro e comboio; E, por último, a ausência da colheita de dados estatísticos com base na identidade racial. Contudo, o traço mais evidente desse comportamento negacionista da maioria dos brancos e de alguns Bounties é o tema da violência policial – a face mais visível do racismo em Portugal. A violência policial é uma epidemia que aumenta todos os dias nos chamados bairros “sociais” (um eufemismo né?).  Quando se fala disso publicamente, os brancos e os seus Bounties encaram o assunto como se fosse o fim do mundo. Alguns ficam perplexos. Gritando: Isso não acontece em Portugal! Não pode ser!  Nota-se esse tipo de atitude não só por parte dos indivíduos mas também por parte das instituições públicas e privadas, dos partidos políticos da esquerda à direita. E sobretudo das instituições do estado que, supostamente, deviam ter conhecimento desses problemas. sim, porque se dizem defensores dos imigrantes e os chamados minorias étnicas.

Há uns tempos, assisti um debate, por exemplo, em que um jovem de dezassete anos resolveu compartilhar o que lhe tinha sucedido. A maioria dos brancos perguntavam com desconfiança: mas o quê que tu fizeste para isso ter-te acontecido? A pessoa agredida explicou o acontecimento pormenor a pormenor. Isto é, não fez rigorosamente nada e foi literalmente torturada e humilhada. Mas, os negacionistas mostraram-se incrédulos diante dos factos. Por isso insistiram, atirando mais perguntas do género: tens a certeza de que não fizeste nada? Não fizeste nenhum gesto de agressividade? Não os respondeste mal? Não os mandaste palavrões? E houve até quem perguntou: Não estavas mal vestido? Pergunto-me, que é isso de estar mal-vestido? E o pior é que parece que nem sequer notam que estão a chamar a pessoa, automaticamente, de mentirosa. Será que é o velho mito colonial de que os negros são mentirosos profissionais? E a verdade é só aquela que sai da boca dos brancos, não é? Dizem-se todos bem-intencionados e se colocam moralmente superiores aos seus irmãos/irmãs racistas. Há, aliás, há uma certa esquerda que atribui o monopólio do racismo à direita, para mascarar o seu próprio racismo. Contudo, de vez em quando não conseguem se conter e soltam discursos que a extrema-direita aplaudiria. É estranho que os partidos que se dizem defensores dos negros não têm nenhum negro como deputado….  Voltando ao tema. Satisfeitos com as respostas, gritaram em coro: é uma vergonha!!! Mas, sendo negacionistas do racismo em Portugal, não vão desistir. Só não avançam mais além, porque já obtiveram respostas onde não têm como pegar. E também porque muitos não têm a coragem suficiente de afirmar frontalmente o que pensam à frente das vítimas. Então, passam a fase seguinte. Esta fase consiste na absolvição dos actos racistas da polícia. E novamente gritam em coro, desta vez: alguns deles são ignorantes; cresceram fora da cidade e se calhar nunca viram um negro; são mal formados, etc. Será que justifica? Não. A verdade é que os brancos têm-se beneficiado, ao longo dos tempos, do monopólio da ignorância para se desculparem do racismo. O mesmo se pode dizer da alegação dos problemas mentais para se justificar tais atrocidades. O homem branco que matou dezenas na Noruega não é terrorista, é um doente, né? Se fosse negro ou árabe seria logo chamado de terrorista. O terrorista nunca é um branco. Seguindo, por vezes, noto que há uns descarados que não desistem de tentar provar que a culpa é da vítima. Simplesmente recusam a aceitar às narrações das vítimas do racismo. E de repente, um se levanta e faz o mesmo tipo de pergunta à vítima. E você se pergunta, mas essa pessoa é surda? O debate é transformado numa espécie de interrogatório à vítima. Normalmente, são poucos que se preocupam com a questão de que os agentes envolvidos deveriam ser punidos. Lembro-me de um debate, em Lisboa, onde a pessoa que tinha contado o que lhe sucedeu quando foi abordada pela polícia, chegou ao ponto de gritar: porra, o único crime que eu cometi é o de ser negro. Será que tu és surdo ou estás parvo? Na plateia, ficaram escandalizados com o comportamento do jovem. E a “interrogador” disse: estão a ver como vocês são? Vocês?

Para mim, esta reação de alguns dos brancos não me surpreende. Não é nada de novo. Até porque, tenho observado esse tipo de comportamento nos juízes e juízas. Assisti isso em vários julgamentos sobre violência policial e processos afins. Posso dizer-vos que no caso do Élson Sanches “ Kuku”, na ocasião, quem foi julgado foi a vítima. Foi ele quem foi julgado pelo tribunal, em vez do agente que o matou. Isto pode ser aplicado como uma norma para a maioria dos casos de violência policial, que se traduziram em mortes de pessoas negras desarmadas. O caso do Eder é também outro caso paradigmático. A “patroa” dele afirmou perante ao tribunal que o Eder estava a trabalhar com ela no dia e na hora em que o crime foi cometido. Mesmo assim, o tribunal acabou por condenar o Eder. O jovem ficou preso, injustamente, durante anos. Há tantos casos semelhantes cá em Portugal. Mas, não seria exagerado também dizer que isto acontece quando se discute o passado colonial português, cujo racismo é produto. Uma pessoa cita várias fontes históricas que evidenciam a violência colonial, mas os negacionistas viram e gritam: Não era bem assim!!! Começam a divagar desonestamente, entrando em deambulações, procurando subterfúgios que justificam as suas crenças. Também não posso deixar de falar das comparações. Quando se procura debater a escravatura, o colonialismo ou o racismo em Portugal, nota-se uma explosão de comparações, com outros países europeus, sul-americanos, etc. Tais como: não há tanto racismo em Portugal como existe na Inglaterra, França, África do Sul, Brasil ou Estados Unidos. Os ingleses ou os Franceses foram piores colonizadores que nós. Há, ainda,  alguém que se lembra de dizer: não podemos esquecer dos espanhóis. Esses sim são piores que nós porque exterminaram os “índios”. Fala-se de tudo e menos do contexto português. Oh, não posso esquecer daqueles que nos consideram ingratos, por estar a falar do racismo. Muito menos daqueles que gritam: os negros são as pessoas mais racistas que já conheci. Upps! ( esses só nos comments do facebook) Meu caro, um bom livro sobre tema resolveria o teu problema.

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Posto tudo isso, parece que esses brancos sofrem de afasia e dissonância cognitiva. A primeira se refere a uma perturbação de linguagem, provocada por uma lesão cerebral que afecta vários aspectos de comunicação, nomeadamente a expressão oral, compressão de linguagem, leitura e escrita. A segunda, como nos ensinou o revolucionário Frantz Fanon, acontece em relação à estrutura cognitiva dos indivíduos, ou seja, às vezes, uma pessoa tem uma crença central que é muito forte. Quando ela é apresentada perante uma evidência tão clara que contraria esta crença central, a nova evidência não é levada em consideração. Isto cria um sentimento que é extremamente desconfortável, chamado de dissonância cognitiva. Torna-se tão importante proteger a crença central, que a pessoa racionaliza, ignora e até mesmo chega a negar qualquer coisa que não se encaixe na tal crença. Falo desses dois conceitos porque no que toca a questão do racismo, parece que os brancos têm problemas de compreensão sobre o tema. Parece que nem sequer escutam. Mesmo quando são confrontados com evidências irrefutáveis, continuam a negar o problema. Em Portugal, a ideia de que os portugueses nunca foram racistas está tão impregnada na sociedade que, quando são confrontados com a realidade das coisas, buscam justificar, racionalizar e ignorar os factos para preservarem a crença luso-tropicalista. É preciso manter a todo custo esse mito, mesmo que isso venha a ter grandes implicações no futuro. Aqui em Portugal, o debate racial tem sido pautado pela negação do problema. Em forma velada de perpetuação da estrutura. E na maioria das vezes, faz-se uma ode ao Gilberto Freire, como aconteceu recentemente no Teatro São Luiz, em que se homenageou à invenção da excecionalidade portuguesa em oposição a uma crítica justa sobre como o mito da harmonia racial perpetuou as injustiças sócio raciais. Por outras palavras, uma combinação de odes ao luso-tropicalismo e ao “bom” colonialismo dos portugueses, que se traduzem na negação do racismo. Não passam de grandes mitos, encobridores de perversidades extremas, criados pelos colonialistas portugueses e seus lacaios. Não há colonialismo bom. E não há como justifica-lo. O denominador comum de qualquer tipo de colonialismo (Britânico, Francês, Português, etc.) é a violência e predação. Não vou desperdiçar tempo sobre esse assunto. Há muita literatura sobre o tema. É procurar e ler. Hum, não posso esquecer que a coisa piora quando encontram um negro alienado para corroborar a tese da inexistência do racismo em Portugal. São simplesmente negros que sofrem de síndrome de Estocolmo. Mas eu não sou o teu negro!!! Afinal, primeiro, é preciso reconhecer o problema para poder combatê-lo. Entretanto, como se vai combater um problema, que não existe enquanto dado oficial?

 

 

Não Há Justiça, Não Há Paz

Plataforma Gueto

 
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Publicado por em Junho 17, 2017 em Plataforma Gueto

 

Marcelismos Contemporâneos

Os políticos portugueses têm um compromisso com a sua História Nacional e não com a História Global, porque estes são parte activa de um grupo dominante e hegemónico. Assim, importa entender que a História Nacional acaba por ser, em grande medida, um refelexo do percurso das elites e dos acontecimentos heróicos que servem para sustentar a glória da nação. Por isso acaba por ser resultado de um cruzamento entre a realidade e a ficção, com base em fontes orais ou escritas.  No entanto, a História Nacional não deixa de navegar sempre ao sabor da narrativa do vencedor, ou a bem dizer, do grupo hegemónico que impõe ao Outro uma interpretação dos factos através de conceitos produzidos a partir de uma visão central do mundo.

Compreendendo este processo dialéctico da história, Karl Marx defendeu que no processo dialéctico entre o escravo e o senhor só seria possível superar este obstáculo existencial do escravo se este reclamasse o direito à sua história. Acabando por dar origem a uma luta de classes, porque o escravo terá, necessariamente, uma necessidade histórica de ascensão ao poder para ser o narrador da sua própria subjectividade. Deste modo, a história, enquanto instrumento de narração de factos e de eventos, acaba por reflectir exclusivamente os feitos do poder dominante ou dos grupos  detentores de poder numa determinada sociedade.

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Pois, pasmo-me com a reacção manifestada pela comunidade negra portuguesa aquando das declarações proferidas pelo representante oficial da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, na visita oficial a Gorée, no Senegal. Isto espelha que a comunidade negra estava à espera de uma atitude de reconhecimento das malfeitorias praticadas pelos portugueses durante o período do tráfico negro e depois dessa era. No entanto, esqueceu essa comunidade de observar que o sujeito em causa é parte integrante da elite que produz a visão nacionalista da História. Por isso, não sente a necessidade de recusar o seu próprio património histórico. Acabando por defendê-lo e legitimá-lo, através de uma visão nacionalista da História Global. Marcelo Rebelo de Sousa poderia até proferir um discurso mais elaborado e pomposo em termos retóricos, mas a sua substância manter-se-ia no sentido da preservação da visão nacionalista da História Global, elevando o papel dos personagens históricos portugueses.

Considerando a figura em questão não esperava outro comentário. Ainda assim, algumas pessoas entraram em choque por causa do teor das palavras proferidas em Gorée. Eu, ao contrário dos outros, teço um rasgado elogio pela transparência dos factos narrados à luz da versão nacionalista da História Portuguesa por parte do Presidente Português.

As reacções foram bastante negativas porque os negros cultivam o gosto pela versão doce, suave e cordial da História Global, quando efectivamente essa História é marcada pela desumanização e a rejeição do humanismo de uma parte significativa dos homens. Por isso a ausência de reconhecimento, por parte de Marcelo, dos maus-tratos infligidos aos negros por parte dos portugueses não devia afectar ninguém. Sei que é mais agradável lidar com um Senhor doce e amável, que não deixava de escravizar os seus negros enquanto bens ao seu dispor, do que com um rude e bruto jacobino. Esta é uma forma de vender o sofrimento através de filmes e novelas que suavizam o horror do sofrimento negro. Assim, uma comunidade que fica à espera de uma atitude do politicamente correcto, está, igualmente, a impedir uma postura simbolicamente mais significativa. Porque não basta reconhecer os crimes, sendo também necessário proceder a um suicídio de classe tal qual perspectiva Amílcar Cabral. Ou seja, não basta ser menos severo, é necessário lutar contra as injustiças.

A reacção às palavras do Presidente Marcelo até deu azo a um manifesto que marcou a indignação de um meio académico português e não só. Mas fica uma pergunta no ar: depois do manifesto, onde está a parte de transformar o meio social? A esterilidade dessa reacção por parte dos académicos fica comprovada ao analisarmos um Manual de História de Portugal, onde apenas está presente o lado dos vencedores, por exemplo, a História Colonial é ensinada com o objectivo de glorificar os Descobrimentos e endeusar os heróis nacionais, principalmente os seus efeitos. Mas o alcance moral dos actos praticados pelos portugueses em terras colonizadas está encoberto numa neblina de heroísmo nacionalista. Assim, a voz do sangue do negro cala-se, mais uma vez, e os dominados acabam silenciados.

Este texto visa na sua essência deixar claro que esperar o reconhecimento por parte do grupo dominante é recusar o direito à luta, ou seja, à sua própria subjectividade. Por exemplo, os negros nos EUA deixaram o blues, o lastro do sofrimento negro, de lado e enveredaram por uma luta pelos seus direitos e, com isto, são fazedores dos seus heróis e da sua própria narrativa histórica. Não faço nenhuma apologia ao distanciamento com os outros grupos, mas faço, abertamente, um apelo ao direito à auto-suficiência e não a uma concessão misericordiosa dos Marcelos da História. Para isto, deve começar-se por contar a história dos oprimidos e dos homens escravizados como forma de manchar a história com o sangue negro e não procurar o lugar na História através da visão do negro vencedor ou bem-sucedido porque essa é a fórmula de legitimar o vencedor. Talvez a revisão da História passe, necessariamente, pela abordagem aberta e directa da condição de não-condição a que um povo foi submetido e de todo o processo de superação histórica que envolveu e envolve, ainda hoje, vários problemas étnicos, raciais e morais. Assim, estudaríamos como um não negro (Não Ser) tornou-se um negro (Ser) e quais são ainda hoje as suas implicações sociais, históricas, económicas e filosóficas.

 

 

Não Há Justiça, Não Há Paz

Plataforma Gueto

 

 
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Publicado por em Junho 17, 2017 em Plataforma Gueto

 

Conversa com Ládio Veron/Ava Taperende na COVA da Moura dia 4 de Junho – 11h00

Chama-se Ládio Veron e também Ava Taperende que significa pequeno caminho luminoso. Este é seu nome verdadeiro atribuído pelo seu povo Guarani. O outro nome foi-lhe imposto porque quando ele nasceu o estado brasileiro proibia o registro dos nomes indígenas. Ele é representante de uma grande assembleia indígena Guarani-Kaiowá do estado brasileiro de Mato Grosso do Sul. Está em Portugal representando esta comunidade, a mais numerosa do seu país, com cerca de 45 000 pessoas em risco. Está de viagem por 12 países europeus à procura de apoio político para que as pessoas daqui se sensibilizem com a causa dos Guarani-Kaiowá que estão a passar um momento muito difícil, sendo oprimidos pelo governo brasileiro e pelo agronegócio. Ele salienta que as suas terras foram devastadas e tomadas pelos latifúndios e dos grandes proprietários. Ele vai estar no próximo dia 4 de junho de 2017 na Cova da Moura.

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Guarani-Kaiowá possui uma história de terror e a situação fica cada vez mais complicada todos os anos. As terras dos Kaiowá foram reconhecidas pelo governo brasileiro em 1999. Desde aí foram invadidas pelas plantações de monoculturas e pelas fábricas. O que eram grandes florestas agora são oceanos de plantações transgénicas e usinas de etanol. Muitos dos Guarani-Kaiowá vivem à beira das estradas, sofrendo desnutrição e envenenamento dos pesticidas. São frequentemente atacados pelos paramilitares e forças armadas do agro-negócio que ocupam as suas terras. Depois dessa viagem “pretendemos ter a presença de observadores internacionais em Aty Guasu (Grande Conselho dos Guarani-Kaiowá) que vai se realizar do dia 26 a 31 de agosto no Mato Grosso Sul, Brasil. Também, queremos salientar que s observadores são bem-vindos durante o ano todo a fim de documentarem as condições de vida dos Guarani-Kaiowá e s as práticas do agronegócio. Alguns observadores terão de colaborar em projetos diferentes que são essências para a sobrevivência dos Guarani-Kaiowá, tais como:
• Fornecer internet para as vilas Guarani-Kaiowá;
• Fixar aparelhos de internet necessários para a construção de uma rede internacional com as populações indígenas e não indígenas”.

 
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Publicado por em Junho 3, 2017 em Plataforma Gueto

 

Comunicado de imprensa Líder Guarani-Kaiowá visita Portugal para denunciar genocídio dos povos indígenas no Brasil

O Cacique Ládio Veron vai estar durante os próximos dias 3 a 8 de Junho em Portugal, para denunciar o genocídio, etnocídio e perseguição por parte do Estado brasileiro e buscar apoio à luta dos povos Kaiowá e Guarani pelos seus direitos e pelas suas terras.

O líder indígena marcará presença em eventos no dia mundial do ambiente, no Porto, na Assembleia da República, na Universidade de Coimbra e em diferentes associações, testemunhando o drama que vivem os índios Guarani-Kaiowá e outros povos do país – desprezados pela classe política, atacados pela polícia militar e assassinados pelos grandes latifundiários.

No estado do Mato Grosso do Sul, enquanto o agro-negócio soma lucros, as tribos indígenas sobrevivem em pequenos terrenos cercadas por monoculturas de soja, milho e açúcar. Lutam pelo direito a uma pequena da parte das suas terras (cerca de 9 mil hectares, 2% do estado), de onde foram expulsas a partir de 1492. Território reservado na constituição brasileira, mas invadido e ameaçado pelos fazendeiros, com apoio dos militares. Esta é a região brasileira com maiores índices de violência contra os povos indígenas –  nos últimos 15 anos já terão sido assassinados 400 índios.

“Aquilo que os europeus comem está misturado com o sangue dos índios. Os europeus devem saber como estão a destruir as nossas florestas, a poluir a nossa água e como nos assassinam. É a nossa sobrevivência que está em jogo”, denuncia Ládio Veron.

 

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Segundo os organizadores da viagem, o Brasil vive hoje um momento histórico que pode ser considerado um dos piores das últimas décadas. Desde o golpe da elite brasileira em conluio com multinacionais e a tomada do poder por Michel Temer, ficou impossível qualquer diálogo com o Estado brasileiro, mais neoliberal e capitalista que em qualquer época. O objectivo da viagem é dinamizar uma rede europeia de solidariedade.

Ladio Veron repete assim a viagem que o seu pai, Cacique Marco Veron, fez à Europa em 2001 – antes de ser assassinado pelos fazendeiros em frente à própria família. A visita a Portugal marca o fim dum périplo de esperança que percorreu doze países europeus, encontrando representantes políticos e dos movimentos sociais. A viagem é organizada pela iniciativa cidadã “Tribunal Popular: o Estado brasileiro no banco dos réus” e tem apoio de associações e ONG de toda a Europa. 

 

Agenda do Cacique Ládio Verón em Portugal:

3 de junho, visita Museu Millenium e

18h30 conversa na Fábrica das Alternativas em Algés https://www.facebook.com/events/377334659334768/

4 de junho, visita ao Moinho da Juventude, Cova da Moura

5 de junho, Dia Mundial do Ambiente, espaço PAN Porto, apresentação e debate “O agronegócio e a resistência dos povos indígenas” https://www.facebook.com/events/1873949326177325/

6 de junho, 15h, seminário “Aonde nos leva tanta violência? Lutas e Resistências dos Povos Indígenas das Américas: Guarani Kaiowa e outras experiências”, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra http://www.ces.uc.pt/pt/agenda-noticias/agenda-de-eventos/2017/aonde-nos-leva-tanta-violencia/apresentacao

7 de junho, recepções na Assembleia da República pelo deputado do PAN André Silva 11:00 e pelo deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza 14:00

7 de junho, 20h, Jantar popular, apresentação e debate no GAIA em Lisboa https://gaia.org.pt/2017/05/26/jantar-popular-do-gaia-7-de-junho-onde-nos-leva-tanta-violencia-as-lutas-dos-povos-indigenas-na-america-do-sul/

8 de junho – recepção com comissão do ambiente na Assembleia da República

 

https://www.facebook.com/Cacique.Ladio.Veron.Portugal/

https://www.facebook.com/viagemladioveron/ 

 
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Publicado por em Junho 1, 2017 em Plataforma Gueto