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Sobre o Racismo em Portugal

12 Set

 

Quando insistimos na questão do racismo em Portugal, algumas pessoas pensam que nós somos exagerados, mas a verdade é que o racismo em Portugal é algo bem real e concreto. O racismo em Portugal tem os seus causadores concretos: os indivíduos (cada um de nós, dependendo do que fazemos ou não), a sociedade e as instituições. O racismo em Portugal também tem as suas vítimas concretas: essencialmente homens, mulheres e crianças das comunidades negras e ciganas.
No que respeita à situação dos negros e negras, devemos aqui afirmar que é incondicionalmente inadmissível e injustificável que um agente da Polícia execute um jovem negro de 14 anos, com uma bala na cabeça atirada de apenas alguns milímetros, sem que esse agente seja devidamente condenado. Desde o início da década de 2000, houve em Portugal pelo menos 8 ou 9 casos de negros assassinados por agentes policiais brancos, na total impunidade. Sim, não é só nos EUA que os negros são abatidos como se fossem alvos numa sala de treino de tiro, ou na caça. Isso acontece também em Portugal, embora com proporções diferentes. Mas é uma realidade bem camuflada e aceite, pois aos negro/as tudo se pode fazer: agredir, humilhar, matar, sem ser punido por isso, uma vez que não somos considerados seres humanos dignos desse nome. E que não nos acusem de vitimização, pois os fatos são mais do que conhecidos e documentados para quem tem o mínimo de bom senso.
A aceitação e normalização desse tipo de casos não pode continuar. Temos que admitir que algo está bastante errado, e não podemos continuar a viver simplesmente as nossas vidas nessas condições, sem reclamar a nossa humanidade. A vida não se resume apenas a comer, beber, dormir, trabalhar, ocupar-se da família e fazer festa. Isso é uma necessidade fundamental e importante, mas não é suficiente. Nós devemos exigir a possibilidade de viver dignamente como seres humanos, com a garantia de que a nossa segurança e integridade são respeitadas, e não sermos discriminados e assassinados pela nossa cor da pele e origem cultural, e sermos tratados abaixo de cães. Isso para não falar das profundas desigualdades que nos afetam em todos os aspetos: habitação, educação, emprego, cultura etc.
Por essa razão, é extremamente importante ocuparmos o espaço público sem receios, para reclamarmos o que é nosso por direito. Tudo o que pedimos é o respeito à nossa condição humana, justiça, igualdade e liberdade. Não há causa mais justa do que esta. Portanto, vamos pôr as nossas diferenças de lado, e vamos para as ruas manifestar no dia 15 de Setembro, e exigir uma mudança estrutural na forma como somos tratados. A mudança apenas pode advir da nossa ação. As coisas não mudam para melhor magicamente, por elas próprias e sem luta. Como nos disse o grande Frederick Douglas, “o Poder não concede nada sem reivindicação”. Está tudo nas nossas mãos. Paz e União.

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Publicado por em Setembro 12, 2018 em Plataforma Gueto

 

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