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Declaração de solidariedade da “Plataforma Gueto” com o “Partido dos Indígenas da Républica”, de França.

12 Jan

A Plataforma Gueto, Movimento Social Negro Antiracista, com base em Portugal, vem condenar publicamente a tentativa ardilosa e sem escrúpulos de atribuição de uma parte das  responsabildades do ataque do dia 7 deste mês, em Paris,  feito  ao Jornal Satírico Charlie Hebdo,  ao Partido dos Indigenas da Républica ( Parti de Les Indigénes de La Répúblique – PIR). Considerámos perversa, tacanha e descabida essa associação, e uma tentativa clara de instrumentalização e aproveitamento político dos ataques – que condenámos -para a promoção da agenda da extrema direita francesa.

Jeanette Bougraf, ex-ministro da direita da UMP,  afirmou que os partidos da esquerda carregam responsabilidades, apontando o PIR como um dos principais,  por estes terem acusado fortemente Charlie Hebdo de racismo e islamofobia, acusação da qual achámos justa,  lógica e necessária. Além disso, a atitude do PIR, a nosso ver,  representa um enorme sentido de responsabilidade social, quando a liberdade de expressão ultrapassa os seus limites, como foi o caso. Não é aceitável que se use desse direito para ridicularizar os muçulmanos, suas crenças e a sua religião. Charlie Hedbo incitou a negrofobia e islamofobia, o que demonstra uma excessiva falta de responsabilidade social e, quiça, essa acçãa, certamente, contribuiu para o aumento de ambiente de medo e hostilidade a esses grupos “minoritários”, culminando, muitas vezes, em  ataques violentos contra as instituições islámicas e contra as pessoas racializadas da sociedade francesa. Lembrámos de um desses cartoons, em que comparavam a Ministra Francesa de Justiça, Christiane Tabira, uma negra, com uma macaca.

É irónico que o mesmo jornal que professou o combate ao extremismo religioso e à intolerância, muitas vezes, cuspia lavres de negrofobia e islamofobia sem levar em conta o impacto que esta atitude teria sobre esses grupos.

O racismo jornalístico de Charlie Hebdo, intencionalmente ou não, serviu de argumento legitimador para o envolvimento do governo francês em muitas guerras imperialistas, em  várias partes do mundo, principalmente, no Médio Oriente e em África onde muitos muçulmanos e africanos foram mortos.

Da mesma forma que se considera que Charlie Hebdo estava em pleno uso do seu direito de liberdade de expressão de fazer aqueles cartoons, o PIR também está em seu pleno direito de usar da sua liberdade de expressão para acusar o jornal de islamofobia, critícas foram necessárias. Posto tudo isto, considerámos lamentável que políticos como senhor Bougrab – sem esquecer o deputado franco-israelita Habid – tentem instrumentalizar as mortes (que aos nossos olhos são condenáveis) do dia 7 do corrente mês, para a promoção da agenda da extrema-direita francesa, em particular, e da extrema-direita europeia, em geral. É essa mesma extrema direita que procura ferozmente cortar os direitos dos imigrantes e dos desfavorecidos; que procura ardilosamente, através de sensacionalismos e medos, o aumento da repressão estatal sobre os chamados grupos minoritários, que o PIR defende, e cujos direitos tem defendido, combatendo a exclusão social, a violência e o racismo institucional.

Lisboa, dia 12 de janeiro de 2015.

Plataforma Gueto

 
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Publicado por em Janeiro 12, 2015 em Plataforma Gueto

 

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