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Declaração de Solidariedade Pan-africana com o povo Burquinabê

22 Nov

thomas_sankaraOs eventos de 31 de outubro de 2014, levados a cabo pela         revolta popular que removeu Blaise Campaore do poder constituiram um ponto de viragem para a toda a região e, provavelmente, para África como um todo.

As ações do povo Burquinabê expôs os arautos da desgraça e os incrédulos que acreditam que única coisa que sai de Africa com origem Africana é a desgraça. O povo Burquinabê mostrou a todos que o único caminho que o povo Africano deve seguir se quiser a paz, a prosperidade e o progresso, é o caminho da luta popular.

Na década de 1980, o país do povo vertical ou incorruptível, (significado de Burkina Faso) deu a África, um de seus mais ilustres filhos na pessoa de Thomas Sankara. Sankara embarcou num programa de reformas progressistas que fez do Burkina Faso uma nação invejada em África e no Mundo.

Depois de apenas alguns anos no cargo de Presidente, Thomas Sankara foi assassinado a 15 de outubro de 1987 por Blaise Compaore, quem ele considerava seu amigo e camarada de maior confiança. O espírito de Sankara, líder lendário e carismático, que poderia ter transformado o continente se ele não nos tivesse deixado tão cedo, triunfou durante estes acontecimentos recentes, como um fator unificador. O povo Burquinabê ao agir contra as tentativas corruptas de Compaore de permanecer no poder indefinidamente confirma uma das máximas mais famosas de Sankara que diz: “Os revolucionários podem ser mortos a qualquer momento, mas o que ninguém pode matar são as suas ideias”.

A História ancestral da luta pela libertação da África do colonialismo triunfou com o advento da independência política. No entanto a visão de libertação total continua a ser ilusória e ainda hoje, encontramo-nos numa situação de incapacidade de decidir o nosso destino sem interferências externas, cuja causa fundamental advém da falha dos progenitores da nossa independência política.

Muitos deles se tornaram complacentes com os resultados da sua luta e limitaram-se confortavelmente a imitar o sistema colonial com as mesmas estruturas de exploração dos seus compatriotas, a maior parte do tempo atuando somente como meros agentes do sistema imperialista mundial.

Eles preferiram desfrutar dos ganhos que seu novo estatuto político lhes conferiu, ao invés de abordar os requisitos essenciais da independência. Esqueceram-se que a unidade e incentivo que facilitou o alcance da independência tinham que continuar, particularmente porque as forças coloniais e imperialistas continuam a fazer de tudo e a utilizar todos os meios para recuperar o que perderam no processo.

No contexto globalizado de hoje, tal como no passado, é inevitável que qualquer ganho que nosso povo tenha alcançado, faça com que as forças imperialistas se unam para pôr cobro a esses avanços. Qualquer revolta popular genuína ou concebida por agentes externos, como se verificou no norte da África, ou em outro lugar, nos últimos anos, a necessidade de vigilância é um fator essencial.

A mensagem que veio da juventude nas ruas de Ouagadougou para o resto do continente e do mundo foi clara:

NÃO DEIXE QUE SUA CONSTITUIÇÃO SEJA ALTERADA PARA ACOMODAR OS OPRESSORES DO POVO. O QUE NOS FIZEMOS TAMBÉM É POSSÍVEL EM OUTROS LUGARES.

Apesar do movimento glorioso do povo Burquinabê, muito mais precisa ser feito para assegurar que a Victória do povo não seja usurpada pelas forças reacionárias como já aconteceu no passado. O que é necessário é audacidade e mais audacidade.

Acreditamos que a erosão dos valores éticos fundamentais implementados durante a revolução de Sankara tais como a promoção de parcerias a nível nacional, continental e internacional para assegurar que os efeitos sufocantes da globalização e a imposição de políticas neoliberais, dificultaram a progressão da ação concertada das forças progressistas no sentido de atingir a libertação total. Por isso, ao povo Burquinabê, exortamos que:

CONTINUEM A ORGANIZAR-SE NAS BASES, PARA QUE A VITORIA SEJA APENAS VOSSA E DE MAIS NINGUEM. NÓS E TODA A HUMANIDADE EM LUTA PELO MUNDO E NO CONTINENTE AFRICANO LEVANTAMO-NOS FIRMEMENTE PARA VOS SUPORTAR EM SOLIDARIEDADE!

Nós expressamos nossa total concordância com a declaração feita por líderes da oposição Burquinabê e ativistas que diz:

“A VITÓRIA NASCIDA DESTA REVOLTA POPULAR PERTENCE AO POVO, E A TAREFA DE GERȆNCIAR A TRANSIÇÃO PERTENCE DIRECTAMENTE AO POVO. EM NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA PODE ISSO SER CONFISCADO PELO EXÉRCITO”.

O que precisa ser destacado é que o resto de África e os africanos em todo o lado, devem fazer para sustentar as mudanças progressivas que continuam a ocorrer, garantindo que elas permaneçam no seu curso correto levando a maior justiça social para as massas do nosso povo.

Nos próximos três anos, pelo menos doze países africanos serão confrontados com situações políticas semelhantes como a enfrentada por Burkina Faso – Angola, Burundi, Chade, Congo-Brazzaville, República Democrática do Congo, Djibuti, Guiné Equatorial, Gâmbia, Ruanda, Sudão, Togo e Uganda – onde os governos podem recorrer e alguns recorreram já a meios duvidosos ou ilegítimos para ficar no poder contra a vontade do povo e para inviabilizar alternativas políticas pacíficas. Para alguns desses países já começou o processo de luta.

Nós juntamos nossas vozes a chamada de união de todas as forças progressistas da África global a tomar uma posição na luta, e solidariedade com a causa do povo Burquinabê, que ainda corre o risco de ver a sua vitória contra a opressão militar neocolonial liderada pelo regime deposto de Campaore a ser sequestrada por forças reacionárias, que vão tentar mais uma vez uma repetição e perpetuação do regime militar.

Por todo o continente onde os ditadores continuam ainda no comando, as massas africanas estão a aprender com a experiência política recente de Burquina Faso e estão em total solidariedade com o povo Burquinabê pela sua realização histórica de acabar com um regime opressivo de 27 anos.

Unidos na luta Pan-africanista contínua de alcançar o melhor para nosso povo, apoiamos fortemente os nossos irmãos e irmãs Burquinabês pela Victória por eles conseguida.


As organizações abaixo-assinadas:

  1. All-Afrikan Students Union Link (Europe) – União de Todos os Estudantes Afrikanos Link (Europa)
  2. Black Activists Rising Against Cuts (UK) – Ativistas Pretos levantando-se Contra os Cortes (Reino Unido)
  3. Cercle de Reflexion Kwame Nkrumah (Belgium) – Reflexion Kwame Nkrumah Círculo (Bélgica)
  4. Don’t Be Blind This Time (Switzerland) – Não Seja Cego Novamente (Suiça)
  5. Global Afrikan Congress (UK) – Congresso Global Afrikano (Reino Unido)
  6. Grassroots All-Afrikan Women’s Sisterhood of the Grassroots Women’s Internationalist Solidarity Action Network (UK) – Irmandade de todas Organizações de base da Rede de Ação Internacionalista de Solidariedade (Reino Unido)
  7. Humanitarian Organisation Icumbi (Russia) – Icumbi Organização Humanitária (Rússia)
  8. Ínterim National Afrikan People’s Parliament (UK) – Parlamento Interino Nacional e Popular Afrikano (Reino Unido)
  9. Ishema Party (Scotland) – Partido Ishema (Escocia)
  10. Kilombo Network (Ghana and UK) – Rede Kilombo (Gana e Reino Unido)
  11. Moyo wa Taifa Pan Afrikan Women’s Solidarity Network – Coração da Nação Rede de Solidariedade Pana Afrikana de Mulheres
  12. Organising for Africa (UK) – Organizando por Africa Reino Unido
  13. Organisation Sociale Africa Union (Russia) – Organização Social União Africana (Russia)
  14. Pan African Institute for Development (Ghana) – Instituto Pana Africano para o Desenvolvimento (Gana)
  15. Pan African Union (Sierra Leone) – União de Pana Africano (Serra Leoa)
  16. Pan-Afrikan Forum (Ghana) – Fórum Pana Africano (Gana)
  17. Pan-Afrikan Liberation Solidarity International of the Global Justice Forum – Libertação e Solidariedade Internacional Pan Afrikana do Forum de Justiça Global
  18. Pan-Afrikan Network (Europe) – Rede Pan Afrikana (Europa)
  19. Pan-Afrikan Reparations Coalition (Europe) – Coligação Pan Afrikana de Indeminizações (Europa)
  20. Peace and Love for African Youth (Ethiopia)
  21. Zimbabwe Pan Africanist Youth Agenda (Zimbabwe)

 

18 de Novembro 2014

Londres, Reino Unido

Português

 
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Publicado por em Novembro 22, 2014 em Plataforma Gueto, Tradução

 

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