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UMA MANIFESTAÇÃO NÃO É UM EVENTO – COLOMBO É VASCO DA GAMA

17 Nov

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Apenas 143 mulheres e homens negros a trabalhar no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, no passado dia 26 de outubro entre as 11h00 e as 12h30, confirmam o impacto do racismo no trabalho em Portugal.

Naquele que foi até bem pouco tempo o maior centro comercial da Península Ibérica em número de lojas, no qual foram criados mais de 5 000 postos de trabalho, mais de 340 lojas, uma quantidade e variada oferta comercial com capacidade de receber 27 milhões de visitantes anuais, como propagandeou em 2009 o diretor geral da Sonae Sierra, empresa proprietária deste centro comercial, verificamos a presença quase invisível de mulheres e homens negros a trabalhar.

Colombo, “descobridor” de terras povoadas, afinal repete o que a Plataforma Gueto já tinha denunciado no Centro Comercial Vasco da Gama: a nossa quase impercetível presença no setor comercial é mais concentrada na área da restauração, com mais de metade do número de mulheres e homens negros contabilizados em todo o centro comercial – 76 trabalhadores. Da mesma forma como já verificado no centro Comercial Vasco da Gama, na área da restauração o número de mulheres negras trabalhadoras é também mais que o dobro que o número de homens negros a trabalhar (68%) – 52 mulheres negras e 24 homens negros.

 Restauração (76 trabalhadores), hipermercados (19 trabalhadores), acessórios, calçado e acessórios (17 trabalhadores) são as áreas onde verificamos maior número de negras e negros a trabalhar no Centro Comercial Colombo. Também aqui se repetem as duas primeiras áreas com mais negras e negros a trabalhar, observadas no Centro Comercial Vasco da Gama.

O Centro Comercial Colombo com 22 áreas comerciais distribuídas por mais de 340 lojas e 53% de negras e negros observados a  trabalhar neste período do dia concentrados na área da restauração, revela a racialização do trabalho neste país. 
O Centro Comercial Colombo com nenhuma negra ou negro a trabalhar neste período do dia nos setores das óticas, dos concertos rápidos, das fotografias e fotocópias, do lazer, tempos livres, cultura, música, livrarias, tabacarias e press center e apenas 1 homem negro no setor bancário, revela o racismo no trabalho desta grande superfície comercial.

A política de contratação dos centros comerciais é consentânea com a sociedade portuguesa capitalista e racista, que exerce para seu enriquecimento, poderes de dominação e exploração sobre negros e negras.

Na marcha do 1º de maio, vociferamos as palavras de ordem “trabalho e racismo é mais colonialismo”.  Em mais uma visita por um Centro Comercial de Lisboa, constatamos  que não são palavras faladas ou escritas em papel.  
Denunciar este sistema é  uma das formas de luta que temos de fazer para nos libertarmos dos porões onde os exploradores racistas nos teimam manter.
 
 

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