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Terrorismo de Estado e a normalização da colonização Sionista.

22 Jul

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“Nós estamos com os refugiados, os refugiados martirizados da Palestina, que foram expulsos da sua patría pelas manobras do imperialismo. Estamos do lado dos refugiados da Palestina e vamos apoiar, com toda a força do nosso coração o que os filhos e as filhas da Palestina fizerem para libertarem o seu país e , também, apoiaremos com toda a nossa força, os países arábes e os países africanos, em geral, a ajudar o povo palestiniano à recuperar a sua dignidade, a sua indepedência e o seu direito à vida.”

Amílcar Cabral

 

Nos últimos dias o mundo centrou, mais uma vez, a sua atenção para o conflito no chamado Médio Oriente, isto é, para o conflito israelo-palestiniano. Em tal conflito tem-se observado diversos ataques aéreos contra a população de Gaza, tal facto pode servir como a prova irrefutável de um verdadeiro terrorismo de Estado, praticado pelo Estado Israelita. Durante muito tempo, a comunicação social e intelectuais pró-Israel procuram passar a impressão de que se tratava de um conflito entre os judeus e muçulmanos. Este tipo de observação não corresponde a verdade dos factos, visto que nem todos os árabes são muçulmanos, assim como nem todos os palestinianos são muçulmanos. Muitos deles são cristãos, por exemplo. Portanto, a nosso ver, não estamos em presença de um conflito religioso, mas sim de uma colonização.

Observamos também a tentativa de se criar uma ideia segundo a qual o conflito tem centenas de anos. Contudo, isto não é bem verdade, isto porque podemos traçar a origem desse conflito desde a Declaração de Balfour, a 2 de Novembro 1917, escrito pelo Artur James Balfour, então ministro Britânico do Exterior, o Lord Rotschild. Nessa declaração havia, claramente, a manifestação de um apoio para o projecto de criação de um Estado judaico sionista na Palestina. Esse aspecto político tinha sido planeado por Thedor Herzl, um judeu ateu, no seu livro intitulado de Estado Judeu. No entanto, esse projecto seria, somente, efetivado a 15 de Maio de 1948, data, precisamente, da criação do Estado de Israel. Desde a criação do Estado de Israel que tem-se vindo a assistir a implementação de uma política de ocupação e colonização, com a construção de colonatos paulatinamente. Devido a essa ocupação os palestinianos acabam, inevitavelmente, por ser perdem parte do território.

Este mês os habitantes da Palestina foram, novamente, bombardeados durante dia e noite pelo governo israelita, destruindo os lares e reforçando a situação de terror que se vive na região. Por essas bandas só temos acesso a alguma informações sobre o caso graças as redes sociais, que se movimenta através de pessoas singulares e movimentos sociais. Por sua vez, os meios de comunicação social mainstream têm defendido a perspectiva do Estado Sionista, como já é de costume de Israel. Assim acaba por ser natural que um dos exércitos mais fortes do mundo passou a ser visto como um Estado inocente e os resistentes palestinianos como os agressores, fundamentalistas e terroristas. É essa mesma comunicação social que dá voz ao evangelho do racismo islamofóbico, difundido a ideia segundo a qual os árabes são bombistas suicidas.

A criação de uma narrativa, de acordo com a perspectiva do colonizador racista e inocente, tem sido utilizada como justificativa para o massacre dos inocentes. Servindo ainda para condenar qualquer tentativa de defesa por parte dos palestinianos, acabando por ser rotulado de um «acto terrorista». Levando, assim, o povo a acreditar que o conflito é legal e moralmente aceitável, porque constitui-se no direito de resposta à morte de três jovens israelitas na Palestina. Outras vezes os mesmos meios de comunicação têm passado a impressão de que se trata de uma guerra entre duas forças de poderio militar equivalente que se digladiam por um território e pelos recursos da região.

A verdade é que, de um lado, temos o Estado Israel, na posição de colonizador, com um dos exércitos mais sofisticados do mundo, contado ainda com o apoiado dos Estado Unidos da América e muitos países europeus, alguns são membros da União Europeia. Por outro lado, a Palestina, que é um território colonizado, que luta quase completamente desarmado, revindicando o seu direito de autodeterminação. O povo palestiniano está, unicamente, armado com a coragem, determinação, justiça e a verdade, que está do seu lado. O Estado de Israel está a cometer, mais uma vez, crimes de guerra e contra a humanidade. Violando, por exemplo, violando todos os acordos de paz e a convenção de Genebra, porque, segundo o professor do Direito Internacional da Universidade de Ilinóis, Francis Boyle, “a Quarta Convenção de Genebra aplica-se na Cisjordânia, Faixa de Gaza e para a toda área da Cidade de Jerusalém, para a protecção dos palestinianos que residem ali”. A nosso ver, o Estado de Israel usa e abusa do facto do holocausto ocorrido na Segunda Grande Guerra Europeia – Segunda Guerra Mundial – ter originado a morte de muitos judeus. Sendo claramente esse facto que tem servido como justificativa para a sua política de ocupação, apartheid e extermínios de inocentes.

O respeito pelas leis internacionais e pelos direitos humanos não servem no caso do Estado de Isreal, visto que este contínuo irredutível a dar continuidade a sua política racista e colonialista – a construção de colonatos na Cisjordânia é bom exemplo desse facto político. Com isto, os palestinianos são expropriados das suas casas, além disso, o Estado de Israel tem cortado o acesso à água, à eletricidade aos palestianos. Em suma, há uma prática reiterada e continuada de violação ao direito internacional por parte de Isreal, que constituem na prática contra a humanidade. No entanto, a comunidade internacional não tem sido capaz de levar os responsáveis a responderem perante o Tribunal Internacional Penal. Enquanto a comunidade internacional hesita em tomar medidas práticas, os palestianos vivem com o significado de morte, porque a mensagem sionista é bastante explícita. Tal mensagem sionista não permite a possibilidade de uma coexistência pacífica e, muito menos, a solução para a criação de dois Estados.

O Estado colonizador, como qualquer com essa natureza, não aceita a existência do colonizado, porque isso constitui uma ameaça à sua existência, e qualquer forma de resistência seja pacífica ou violenta não é legítima, devendo, assim, ser reprimida com o mais alto grau de punição: a morte. Israel não pretende erradicar fisicamente a Palestina, mas sim destruir a funcionalidade da Palestina como uma sociedade. Subjugando-a política, cultural e psicologicamente, sendo esta a típica mentalidade de todo o colonizador. Por essa razão, consideramos que qualquer pessoa na sua plena consciência tem a noção que a Palestina tem o direito de exercer uma luta de resistência com vista a sua autodeterminação. Estamos com o povo resistente da Palestina e apoiamos a sua luta pela recuperação da sua dignidade. Porque a Palestina só tem duas opções: liberdade ou morte, visto que “o colonialismo só recua quando tem a faca na garganta”.

 

Por uma Palestina livre, fim ao Sionismo.

 Plataforma Gueto

 

1 -Francos, Ania, Palestina – Liberdade ou Morte – Seara Nova, 1970

2 -http://www.ifamericansknew.org/cur_sit/boyle.html

3 -Fanon, Frantz, em Defesa da Revolução Africana, Lisboa : Livraria Sá da Costa, 1980 – Coleção Terceiro mundo. 7

 
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Publicado por em Julho 22, 2014 em Plataforma Gueto

 

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