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Entrevista a Molefi Kete Asante

25 Fev

molefiMolefi Kete Asante é um estudioso Afro-americano, historiador, filósofo, poeta, dramaturgo e pintor. Ele é uma figura proeminente nas áreas de estudos afro-americanos, Estudos Africanos e Estudos de Comunicação.  Atualmente é professor do Departamento de Estudos Afro-Americanos da Universidade de Temple nos E.U.A, onde criou o primeiro programa de Doutoramento em Estudos Africanos e Afro-americanos, e Presidente do Molefi Kete Asante Institute for Afrocentric Studies. Considerado por seus pares como um dos estudiosos contemporâneos mais ilustres, Asante tem publicado 74 livros, entre os quais “Afrocentricity: The Theory of Social Change”, 1980, Race, Rhetoric & Identity, 2005, e   History of Africa, 2007, tendo criado uma escola de pensamento que tem influenciado os campos da sociologia, comunicação intercultural, teoria crítica, ciência política, história africana e trabalho social. Asante detém mais de 100 prêmios para bolsas de estudo e ensino, incluindo os Fulbright, doutorados honorários de três universidades, e é professor convidado na Universidade de Zhejiang. A União Africana citou-o como um dos doze maiores estudiosos de ascendência africana, quando o convidou para dar uma das palestras na Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora, em Dakar, em 2004.

Esta é uma entrevista que Asante concedeu à Plataforma Ghetto a 16 de fevereiro de 2012.

Eu vi uma declaração sua, em que diz que “a libertação espiritual dos africanos deve preceder a libertação política e económica. Você pode explicar um pouco essa ideia?

Molefi Kete Asante:

Nesta declaração estou a seguir as ideias de outros pensadores africanos como Cabral, Garvey, Du Bois, e Carter G. Woodson, que reconheceram que a crise fundamental no mundo Africano é uma crise cultural. Se resolvermos o cultural, que é na minha filosofia uma crise espiritual, então temos uma melhor hipótese de alcançar o sucesso político e económico que procuramos.

Esta não é uma crise espiritual como, que denominação cristã escolher, e se Maomé foi ou não o último profeta, se Bhagavad Gita é ou não melhor do que o Corão, ou se devo confessar meus pecados, ou não. Não, esta crise espiritual é mais profunda, mais existencial, ela reside no núcleo do ser do Africano, no sentido de que ele se tornou um problema de longa duração da nossa consciência. Não é essencialíssimo, mas é fundamental para a nossa compreensão do mundo. Temos de corrigir o problema que veio com o colonialismo e a escravidão, e a única maneira através da qual nós podemos corrigi-lo, é restaurar e reparar o nosso senso de cultura, esta é a crise espiritual de que falo.

Acha que o cristianismo e o islamismo constituem um obstáculo à nossa libertação e completa autodeterminação?

Molefi Kete Asante:

Na medida em que qualquer religião leva os africanos para fora dos nossos próprios termos, e nos leva a questionar a inteligência ou a sabedoria dos nossos antepassados, ou nos leva a degradá-los, a não falar a sua língua, ou usar os seus nomes, perdemos o nosso caminho nas moitas da religião de alguém. Não há nada de errado com a descoberta de liberdade e autodeterminação, por razões próprias de cada um.

Como explica a resistência dos europeus em situar o Egito, histórica e culturalmente, na África, e a sua negação das contribuições que a antiga civilização egípcia deu a outras civilizações?

Molefi Kete Asante:

Os europeus acham as realizações do Egito inacreditáveis, apenas no sentido em que os africanos criaram esta civilização muito antes da chegada dos árabes ou europeus. O que é representado no mundo europeu é a descrença, porque os europeus consideram quase impossível imaginar que os negros que eles conquistaram, subjugaram e escravizaram, possam ter produzido tal civilização. Eles preferem acreditar que as civilizações dos marcianos ou Jupterianos é que criaram o Egito. Mas, os fatos são o que são, a civilização do Egito é a dádiva dos africanos dada ao mundo.

Em geral, como caracterizaria o estado atual do domínio europeu sobre nós?

Molefi Kete Asante:

Eu diria que existem vários aspectos ligados a esta questão: o continente africano, a diáspora africana nas Américas, e os africanos na Europa. No continente temos conseguido a liberdade política, mas não a liberdade cultural ou econômica. A Europa domina, e onde a Europa não domina como na Mauritânia e Sudão, os árabes dominam culturalmente, economicamente, e na realidade, mesmo politicamente. Na Diáspora Africana nas Américas a situação ainda é aquela em que os africanos estão na parte inferior das escadas econômicas e políticas, embora existam ilhas de sucesso como é o caso de Barack Obama e Hugo Chávez, dois descendentes de africanos, que são líderes das suas nações.

Por outro lado, não se pode apontar para um país onde os negros alcançaram a paridade com os brancos, quer em termos económicos, políticos ou culturais. Cuba pode ser o mais próximo a esse objetivo, mas o racismo ainda é um problema entre os cubanos. A situação no Brasil está a melhorar, pelo que sei através das minhas muitas visitas, mas o país continua a ser um bastião da marginalização negra, especialmente fora das grandes cidades. Na Europa, a situação continua a ser aquela em que os negros têm impacto limitado sobre as nações europeias. Há algumas autoridades eleitas em alguns dos países, alguns negros de alto perfil na França e na Inglaterra, mas em nenhuma parte da Europa vemos a igualdade económica e política dos negros.

Na sua opinião, qual é a relevância e o papel dos nossos ancestrais na vida dos africanos de hoje, e na luta pela libertação?

Molefi Kete Asante:

Bem, eu não posso falar por todos os africanos, mas falando por mim eu vejo o papel dos nossos antepassados como exemplos culturais, de inspiração psicológica, e construção do caráter. Como um descendente do povo Yoruba, eu estou sempre disposto a descobrir nos textos africanos, como o Odu Ifa, palavras que possam explicar o que eu estou a pensar. O texto diz que Ifa não exige conhecimento, riqueza ou educação, mas Ifa exige bom caráter. Lembrar os nossos antepassados, vai ensinar aos nossos filhos e a nós próprios como construir um bom caráter.

Com base no conhecimento que você tem sobre a história africana, que juízo faz sobre a capacidade e o potencial dos jovens africanos de hoje, especialmente aqueles que vivem ou nasceram na diáspora, para capturar e transmitir os valores dos nossos antepassados?

Molefi Kete Asante:

A juventude na diáspora africana, nas Américas e na Europa, aqueles que nasceram nessas regiões estão à espera de alguma inspiração que lhes permita recuperar o seu pé no meio de um mundo europeu, onde estão muitas vezes fora de equilíbrio, porque eles não podem e não se relacionam com a sua própria base cultural, e não têm nenhuma maneira de realmente entrar na cultura europeia em pé de igualdade com os brancos. Os jovens são capazes e completamente prontos para reivindicar a sua cultura, os mais velhos devem refletir sobre a situação e agir. A maioria dos jovens está numa terra de ninguém, flutuando entre um lugar que eles não conhecem e outro lugar que não os conhece. Temos que proporcionar escolas, seminários, workshops, programas de treinamento, clubes e atividades para as crianças. Esta é a maneira, por meio da qual eles ganham força e confiança e são, então, capazes de encontrar e discutir, cumprimentar e conhecer os seus homólogos europeus, sem um sentimento de inferioridade e sem a necessidade de vociferar ou exagerar sobre quem eles são como seres humanos.

 Você criou um conceito no campo dos estudos africanos a que você chamou de “africologia.” O que você pretende alcançar com este conceito?

Molefi Kete Asante:

A contribuição intelectual-chave que dei, é a construção teórica a que chamamos “Afrocentricidade”. Isso significa que podemos determinar como e onde os africanos foram movidos para fora dos seus próprios termos. Afrocentricidade é a ideia de que os africanos devem assumir um sentido do seu próprio lugar de sujeito, um sentido de agência que se relaciona com a ideia de autodeterminação. Isso também significa que, a nível intelectual, quando alguém, preto, branco ou amarelo, estuda África deve permitir que a África fale por si própria. Afrocentricidade é sobre esta relação que nega a ideia dos africanos à margem ou periferia da Europa. Africologia é simplesmente o estudo afrocentrado de qualquer fenômeno africano.

Molefi Kete Asante interview

molefi

Molefi Kete Asante is an African- American scholar, historian ,philosopher, poet, dramatist and painter. He is a prominent figure in the areas of African-american and African Studies, and Communication Studies. He is currently professor in the Department of African American Studies at Temple University in the USA, where he created the first doctoral program in African Studies and African-Americans Studies, and President of the Molefi Kete Asante Institute for Afrocentric Studies. Regarded by his peers as one of the most distinguished contemporary scholars, Asante has published 74 books, including ” Afrocentricity : The Theory of Social Change” , 1980, Race, Rhetoric & Identity, 2005, and   History of Africa, 2007, and created a school of thought that have influenced the field of sociology, intercultural communication, critical theory, political science, African history and social work. Asante holds over 100 awards for scholarship and teaching, including the Fulbright, honorary doctorates from three universities, and is a visiting professor at Zhejiang University. The African Union cited him as one of the twelve greatest scholars of African descent, when invited to give a lecture at the Conference of Intellectuals from Africa and the Diaspora in Dakar in 2004 .

This is an interview that Asante granted Platforma Ghetto on 16 February 2012.

 I saw a statement where you say that “the spiritual liberation of africans must precede political and economic liberation.” Can you explain this idea a bit?

Molefi Kete Asante’sAnswer:

In this statement I am following the ideas of other African thinkers like Cabral, Garvey, Du Bois, and Carter G. Woodson who recognized that the fundamental crisis in the African world was a cultural crisis. If we solve the cultural, that is, in my philosophy a spiritual crisis, then we have a better chance to achieve the political and economic success that we seek. 

This is not a spiritual crisis like which Christian denomination to choose or whether or not Muhammad was the last prophet or is the Bhagavad gita better than the Koran or must I confess my sins or not. No, this spiritual crisis is deeper, more existential, it resides in the core of the African’s being in the sense that it has become a long-lasting problem of our consciousness. It is not essentialism but it is critical to our understanding of the world. We must fix the problem that came with colonialism and enslavement and the only way that we can fix it is to restore and repair our sense of culture; this is the spiritual crisis of which I speak.

Do you think that Christianity and Islam constitute an obstacle to our freedom and complete self-determination?

Molefi Kete Asante’s Answer

To the degree that any religion moves Africans off or our own terms and causes us to question our ancestors’ intelligence or wisdom or causes us to debase them or to no longer speak or use their names we have lost our way in the thickets of someone else’s religion. There is nothing wrong with discovering freedom and self-determination on one’s own grounds.

How do you explain the resistance of Europeans to situate Egypt historically and culturally in Africa, and its denial of the contributions that the ancient Egyptian civilization gave to other civilizations?

Molefi Kete Asante’s Answer:

Europeans find the achievements of Egypt unbelievable only in the sense that Africans created this civilization long before the coming of Arabs or Europeans. What is represented in the European world is disbelief because Europeans consider it almost impossible to imagine that black people, who they have conquered, subjugated, and enslaved, could have produced such a civilization. They would rather believe that the civilization that Martians or Jupiterians created Egypt. Alas, the facts are what they are; the civilization of Egypt was the gift of Africans to the world.

In general, how would you characterize the current state of European rule over us?

Molefi Kete Asante’s Answer:

I would say that there are several aspects to this question: the African continent, the African Diaspora in the Americas, and the Africans in Europe. On the continent we have achieved political freedom but not cultural or economic freedom. Europe dominates and where Europe does not dominate as in Mauretania and Sudan, then Arabs dominate culturally, economically, and really politically. In the African Diaspora in the Americas the situation is still one where Africans are at the bottom of the economic and political ladders although there are islands of success as in the case of Barack Obama and Hugo Chavez, two descendants of Africans who are leaders of their nations. On the other hand, one cannot point to one country where blacks have achieved parity with whites in economic terms or in political or cultural terms. Cuba may be the closest to this goal, but racism is still a problem among Cubans. The situation in Brazil is improving, as I know it from my many visits, but the country remains a bastion of black marginalization, particularly outside the large cities.  In Europe, the situation continues to be one where blacks have limited impact on the European nations. There are some elected officials in a few of the nations, a few high profile blacks in France and England, but no where in Europe do we see the economic and political equality of black people.

In your opinion, what is the relevance and role of our ancestors in the lives of Africans today and in the struggle for liberation?

Molefi Kete Asante’s Answer:

Well, I cannot speak for all Africans but speaking for myself I see the role of our ancestors as one for cultural examples, psychological inspiration, and character building. As a descendant of the Yoruba people I am always keen to discover in African texts, such as the Odu Ifa, words that might explain what I am thinking. The text says that Ifa demands not knowledge, wealth, or education, but Ifa demands good character.  Remembering our ancestors will teach our children and us how to build good character.

Based on the knowledge you have about African history, what judgment do you make on the capacity and potential of African youth of today, especially those who live or were born in the diaspora, to capture and transmit the values  of our ancestors?

Molefi Kete Asante’s Answer:

The youth in the African Diaspora, in the Americas and in Europe, those who have been born in those regions are waiting for some inspiration that will allow them to regain their footing in the midst of a European world where they are often off-balance because they cannot and do not relate to their own cultural grounding and they have no way to actually enter European culture on an equal footing with whites. The youth are quite capable and quite ready to reclaim their culture; the older folk must reflect on the situation and act. Most young people are in a no-person’s land, floating between a place they do not know and another place that does not know them. We have to provide schools, seminars, workshops, training programs, clubs, and activities for the children. This is the way they gain strength and confidence and are then able to meet and discuss, greet and know, their European counterparts without a sense of inferiority and without a need to bluster or exaggerate who they are as human beings.

 You have created a concept in the field of African studies that you called “africology.”What do you intend to achieve with this concept?

Molefi Kete Asante’s Answer:

The key intellectual contribution that I have made is the theoretical construct we call Afrocentricity. It means that one can determine how and where African people are moved off of their own terms. Afrocentricity is the idea that African people must assume a sense of their own subject place, a sense of agency that speaks to the idea of self-determination. It also means that at the intellectual level when someone, black or white or yellow, studies Africa they must allow Africa to speak for itself. Afrocentricity is about this relationship that renounces the idea of Africans on the fringe or periphery of Europe. Africology is simply the Afrocentric study of any African phenomena.

Entretien avec Molefi Kete Asante

molefiMolefi Kete Asante est un universitaire afroaméricain, historien, philosophe, poète, dramaturge et peintre. Il est une figure de premier plan dans les domaines de l’ études Afro-Américaines, les études africaines et d’études en communication. Il est actuellement professeur au département d’études afro-américaines à l’Université de Temple aux Etats-Unis, où il a créé le premier programme de doctorat en études africaines et Afro-Américaines, et président de Molefi Kete Asante Institute for Afrocentric Studies. Considéré par ses pairs comme l’un des savants contemporains les plus distingués, Asante a publié 74 livres, dont “Afrocentricity: The Theory of Social Change”, 1980, Race, Rhetoric & Identity, 2005, History of Africa, 2007, et a créé une école de pensée qui a influencé le domaine de la sociologie, la communication interculturelle, théorie critique, la science politique ,histoire de l’Afrique et du travail social. Asante détient plus de 100 récompenses pour les bourses et de l’enseignement y compris le Fulbright, doctorats honorifiques de trois universités, et il est professeur invité à l’Université de Zhejiang. L’Union Africaine lui a cité comme l’un des douze plus grands savants d’ascendance africaine, quand il a été invité à donner une conférence à la Conférence des intellectuels d’Afrique et de la diaspora à Dakar en 2004.

Cette interview a été accordée a la Plataforma Ghetto par Asante le 16 Février 2012.

J’ai vu une déclaration que vous avez fait: ” La libération spirituelle des Africains doit précéder la libération politique et économique . ” Pouvez-vous expliquer un peu cette idée ?

Molefi Kete Asante :

Dans cette déclaration, je suis les idées d’autres penseurs africains comme Cabral, Garvey, Du Bois et Carter G. Woodson, qui ont reconnu que la crise fondamentale dans le monde africain est une crise culturelle . Si nous résolvons le culturel, qui selon ma philosophie est une crise spirituelle, alors nous avons une meilleure chance d’atteindre le succès politique et économique que nous recherchons.

Ce n’est pas une crise spirituelle comme quelle confession chrétienne choisir, et si Mahomet était oui ou non le dernier prophète, si Bhagavad Gita est ou n’est pas meilleur que le Coran, ou devrais-je confesser mes péchés ou pas . Non, cette crise spirituelle est plus profonde, plus existentielle, il est au cœur de l’être africain dans le sens où il est devenu un problème à long terme de notre conscience. Ce n’est pas l’essentialisme, mais il est fondamental pour notre compréhension du monde . Nous devons corriger le problème qui est venu avec le colonialisme et l’esclavage, et le seul moyen par lequel nous pouvons régler le problème, c’est de restaurer et de réparer notre sens de la culture, c’est la crise spirituelle de qui je parle.

 Pensez-vous que le christianisme et l’islam sont un obstacle à notre liberté et à l’autodétermination complète?

Molefi Kete Asante:

Dans la mesure où toute religion met les africains en dehors de nos propres termes, et conduit à s’interroger sur l’intelligence ou la sagesse de nos ancêtres, ou conduit à les dégrader, a ne pas parler leur langue, ou utiliser leurs noms, nous avons perdu notre chemin dans les fourrés de la religion de quelqu’un. Il n’ya rien de mal avec la découverte de la liberté et de l’autodétermination, pour ses propres raisons de chacune.

Comment expliquez-vous la résistance des Européens à situer l’ egypte, historiquement et culturellment, en Afrique , et son refus de la contribution que la civilisation égyptienne antique a donné à d’autres civilisations ?

Molefi Kete Asante :

Les européens trouvent les réalisations de l’egypte incroyables, seulement dans le sens que les Africains ont créé cette civilisation bien avant l’arrivée des Arabes ou des Européens. Ce qui est représenté dans le monde européen est l’incrédulité, parce que les Européens considèrent presque impossible d’imaginer que les Noirs, qu’ils ont conquis, subjugué et réduit en esclavage, auraient pu produire une telle civilisation . Ils préfèrent croire que les civilisations des Martiens ou Jupteriens qui ont créé l’Egypte . Mais les faits sont ce qu’ils sont, la civilisation de l’Egypte est le cadeau des africains, donné au monde.

 En général , comment décririez-vous l’état actuel de le pouvoir européen sur nous?

Molefi Kete Asante :

Je dirais qu’il ya plusieurs aspects liés à cette question : le continent africain, la diaspora africaine dans les Amériques, en Europe et en Afrique. Sur le continent nous avons obtenu la liberté politique, mais pas la liberté culturelle ou économique . L’Europe domine, et où l’Europe ne domine pas comme en Mauritanie et au Soudan, les Arabes dominent culturellement, économiquement, et en fait, même politiquement. Dans la diaspora africaine dans les Amériques ,la situation est encore celui où les Africains sont au bas des échelles économiques et politiques, bien qu’il existe des îlots de succès tels que Barack Obama et Hugo Chavez, deux descendants d’Africains, qui sont des leaders de leur nations. D’autre part, on ne peut pas pointer vers un pays où les Noirs avaient atteint la parité avec les Blancs, que ce soit en termes économiques, politiques ou culturels . Cuba este peut être le plus proche de cet objectif, mais le racisme est toujours un problème chez les Cubains . La situation au Brésil s’améliore, d’après ce que je sais par mes nombreuses visites, mais le pays reste un bastion de la marginalisation noir, en particulier en dehors des grandes villes. En Europe, la situation reste celui où les Noirs ont un impact limité sur les pays européens . Il ya quelques noirs élus dans certains pays, dont certains de grande envergure comme en France et en Angleterre, mais nulle part en Europe nous voyons l’égalité économique et politique des Noirs .

 A votre avis, quelle est la pertinence et le rôle de nos ancêtres dans la vie des Africains d’aujourd’hui, et dans la lutte de libération ?

Molefi Kete Asante :

Eh bien, je ne peux pas parler pour tous les Africains, mais pour ma part je vois le rôle de nos ancêtres comme des exemples culturels d’inspiration psychologique et la formation du caractère . En tant que descendant du peuple Yoruba, je suis toujours prêt à découvrir dans les textes africains, comme le Odu Ifa, des mots qui peuvent expliquer ce que je pense. Le texte dit Ifa ne nécessite pas la connaissance, la richesse ou l’éducation, mais Ifa nécessite un bon caractère. Ne pas oublier nos ancêtres, va enseigner à nos enfants et nous-mêmes comment construire un bon caractère .

Sur la base des connaissances que vous avez sur l’histoire de l’Afrique, quel jugement faites-vous sur la capacité et le potentiel de la jeunesse africaine d’aujourd’hui, surtout ceux qui vivent ou sont nés dans la diaspora, de capturer et de transmettre les valeurs de nos ancêtres ?

Molefi Kete Asante :

Les jeunes de la diaspora africaine dans les Amériques et en Europe, ceux qui sont nés dans ces régions, sont en attente pour un peu d’inspiration pour leur permettre de retrouver leur pied dans le milieu d’un monde européen où ils sont souvent hors d’équilibre, car ils ne peuvent pas et ils ne rapportent pas à leur propre contexte culturel, et n’ont aucun moyen de vraiment entrer dans la culture européenne sur un pied d’égalité avec les Blancs. Les jeunes sont tout à fait prêt et en mesure de réclamer leur culture, les adultes devraient réfléchir à la situation et d’agir. La plupart des jeunes sont dans une terre avec personne, flottant entre un endroit qu’ils ne connaissent pas et d’ailleurs qui ne les connaissent pas . Nous devons fournir des écoles, des séminaires, des ateliers, des programmes de formation, des clubs et des activités pour les enfants. C’est le moyen par lequel ils gagnent de la force et de confiance et sont alors en mesure de rencontrer et de discuter, connaître et saluer, leurs homologues européens, sans un sentiment d’infériorité et sans la nécessité de tempêter ou exagérer sur qui ils sont en tant qu’êtres humains .

Vous avez créé un concept dans le domaine des études africaines qui vous avez appelé ” africologie. ” Qu’est-ce que vous voulez atteindre avec ce concept ?

Molefi Kete Asante :

La contribution intellectuelle clé que j’ai donné, est la construction théorique que nous appelons « l’Afrocentricité ” . Cela signifie que nous pouvons déterminer comment et où les Africains ont été déplacés de leurs propres termes. Afrocentricité est l’idée que les Africains doivent assumer un sens de leur propre lieu de sujet, un sens de l’ agence qui se rapporte à l’idée de l’autodétermination. Cela signifie également que intellectuellement, quand quelqu’un, noir, blanc ou jaune, étude l’Afrique, doit permettre à  l’ Afrique de parler pour lui-même. Afrocentricité est sur cette relation qui nie l’idée d’ Africains à bord ou à la périphérie de l’Europe. Africologie est tout simplement l’étude afrocentré d’un phénomène africain.

 
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Publicado por em Fevereiro 25, 2014 em Entrevista, Plataforma Gueto

 

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