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O caso Ruben

19 Mar

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Ruben
Ruben está neste momento a ser velado dentro de um caixão branco fechado.
À sua volta há jovens como ele que não entendem o que é morrer com 18 anos às mãos da brutalidade policial.
Ruben dentro do caixão está tão revoltado como os jovens que incendeiam as ruas e lhes queima a alma
Ruben é o quinto jovem que morre na bela vista por intervenção policial.
“Mais valia construirem aqui cemitérios” disse uma moradora hoje da Bela Vista ao Correio da Manhã.
O que essa moradora não sabe é que os bairros sociais como a Bela Vista são cemitérios de pessoas vivas dadas como mortas para a saúde, educação, habitação; feitas “presas” de caçadores fardados de azul.
Bairros play-ground de violência policial.
Ruben tinha sido detido no dia anterior pela polícia dessa esquadra que o perseguiu no dia em que o fez morrer.
Ruben foi detido e identificado. Era bem conhecido pela polícia.
No dia seguinte andava de mota sem capacete e dizem os polícias passou um sinal vermelho e
por isso seguiram-no disparando balas de borracha DIZEM.
E assim ruben, em velocidade fugindo ruas afora, entrou numa rua sem saída, subiu o passeio e, “fugindo ou apanhado por uma bala atirada para o ar”, dirá a sentença do tribunal despistou-se, caiu sobre caixa de eletricidade, morreu e viu-se a sua morte num pequeno filme no youtube.
18 anos de vida findaram numa perseguição policial com balas.
Robinho, como é conhecido, abriu mais um inquérito na inspeção-geral da administração interna que se vai esforçar por se proteger assim como os polícias agora se esforçam por proteger a esquadra da avenida da Bela Vista.
Esta esquadra tem 46 agentes e nenhum morador deste bairro se sente seguro por lá tê-los.
Têm morto jovens estes agentes, 5 jovens nos últimos anos.
Ruben deixa agora de brilhar nos olhos da sua mãe que recupera de um cancro.
O decreto-lei nº 457/99 diz no artigo 2º diz que o recurso à arma de fogo pelo agente policial “so é permitido em caso de absoluta necessidade, como medida extrema”.
Acrescenta-se a medida extrema provocada com a necessidade de matar “jovens problemáticos” de “bairros problemáticos”
A justiça vai perdoar dizendo que não se provou a culpa da morte.
Os jovens vão incendiando as ruas mostrando que têm a injustiça nas mortes que carregam.
Ruben é mais um nome da revolta pela brutalidade policial que a comunicação social não diz.
3 anos será a pena máxima caso se comprove que houve uso indevido da  arma pelos agentes.
Quantos anos leva a deixar de sentir a falta de um amigo?
quantos anos levará a mãe de Ruben a voltar a sorrir?
Quantos anos mais serão precisos para proteger os jovens dos bairros sociais dos polícias problemáticos?
Quando se explodirão as esquadras que existem nos bairros?
A Plataforma Gueto sente mais esta revolta!
Plataforma Gueto – Setubal
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Publicado por em Março 19, 2013 em Plataforma Gueto

 

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