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Tradução _ Ain´t I a Woman. Black Woman and Feminism”

Ser Mulher. Ser Negra. Ser Feminista. “Ain´t I a Woman. Black Woman and Feminism” de bell hooks

bell hooks (Gloria Watkins) nasceu em Kentucky nos Estados Unidos da América numa família com seis filhos (cinco raparigas e um rapaz) de educação sexista. Escolheu para si o nome bell hooks em memória à sua avó materna e por ser identificada com ela por ter “resposta na ponta da língua”. Intelectual negra, académica, licenciou-se em inglês pela Universidade de Standford e doutorou-se em literatura pela Universidade de California Santa Cruz. Já escreveu mais de trinta livros e com 19 anos escreveu o livro “Ain’t I a Woman” com o objetivo de documentar o impacto do sexismo no estatuto social das mulheres negras.

bell hooks mostra-nos como é importante para as mulheres negras terem voz na luta contra o sexismo. Por isso afirma no título do seu livro a voz do discurso de que no século XIX num encontro onde se discutia o direito ao voto para o povo negro, e se defendia esse direito apenas para exercício dos homens negros, pois as mulheres eram vistas como frágeis e incapazes de descer duma carruagem sozinhas. Perguntando repetidamente “ain’t I a woman”, Sojourner Truth se disse ser uma mulher ainda que trabalhasse e fosse castigada como um homem e que visse os seus filhos serem vendidos para serem escravos. Afirmando a especificidade da mulher negra, afirmou que não haveria mudança se apenas dessem o direito de voto aos homens negros.

Neste livro bell hooks demonstra com evidência como o feminismo negro nada tem a ver com o movimento feminista tal como é conhecido genericamente. bell hooks dedica muitas páginas atestando o racismo das mulheres brancas e o serviço que o movimento de mulheres brancas tem prestado a interesses oportunistas de procura de ganhos e privilégios a uma classe média e média-alta, que buscam essencialmente entrar no domínio político, económico e social dos homens brancos e do patriarcado.

O movimento feminista branco é visto por bell hooks como a luta das mulheres que querem fazer parte do poder que as domina e não a luta que pretende destruir o poder dominante. Estas mulheres são para bell hooks “mulheres que têm uma ideia escrava da liberdade – a forma de o dono viver é o seu ideal de liberdade e de vida”.

Em todo o livro é afirmado que a opressão sexista é uma ameaça real para nós, tal como a opressão racial. bell hooks interpreta criticamente a situação histórica do momento de luta pelo direito ao voto para o povo negro norte-americano, no qual as mulheres negras apoiaram o exercício de voto apenas para os homens negros. Para bell hooks, essas mulheres negras agiram apenas contra a opressão racial e nada fizeram contra a opressão sexista. No seu entender, tal dilema não deve existir na nossa luta política e devemos agir em conjunto contra uma e outra opressão.

bell hooks afirma também que ao naturalizarmos a condição de subjugação das mulheres negras em relação ao homem, ao aceitarmos o poder, o prestígio e as prerrogativas para os homens (o patriarcado), pomos em causa a nossa liberdade na condição de povo negro, pois de acordo com as suas palavras “não poderá haver liberdade dos homens negros enquanto eles defenderam a subjugação das mulheres negras”.

Esta constatação torna indissociável a luta contra a opressão do racismo da luta contra a opressão do sexismo, pois a libertação de um povo não pode ser feita de forma fragmentada. Se a luta contra o racismo exige união do povo negro e se o sexismo divide homens e mulheres negros em dominadores e submissos, uns e outras têm de se libertar de papéis sexistas e de se dominarem e serem dominados, para que unidos e livres possamos destruir o racismo que a todos condena.

Vendo os homens negros como opressores das mulheres negras, principalmente aqueles que lutam contra o racismo reclamando o direito à participação total na cidadania americana sem questionarem os valores dessa cultura (patriarcal, capitalistas e imperialista), bell hooks afirma que “o racismo separa os homens negros dos homens brancos e o sexismo une esses dois grupos”.

bell hooks afirma neste livro que os homens negros precisam de questionar o seu direito ao patriarcado e deixar de nos ver como subordinadas na esfera política e famíliar, não se mostrando superiores a nós e afirmar a violência como a sua primeira forma de uso de poder.

Para bell hooks a ideia de que as mulheres são inerentemente inferiores e que um ser humano pode dominar outro com base na sua condição sexual, é generalizada nos homens negros e foi reforçada pelo homem branco colonizador. Esta aliança ideológica patriarcal entre o homem branco e o homem negro, deve ser rompida pelos homens negros que lutam contra o racismo.

No que às mulheres negras diz respeito, bell hooks alerta para os mitos que foram criados para nos desvalorizar, pois o domínio não é possível sem a desvalorização, pelo que devemos recusar estas ideias generalizadas sobre nós.

O mito de que somos fortes, quando todas as outras mulheres são vítimas do homem inimigo (outro mito), faz com que soframos silenciosamente todas as opressões da nossa vida. A capacidade de aguentar o sofrimento não é força, é vitimização. Força seria se fossemos capazes de nos transformar ou de nos libertamos. Não devemos por isso ser fortes aguentando sozinhas a criação dos filhos, a exploração do trabalho, a violência racial e a violência masculina. Devemos ser fortes procurando lutar contra isso.

Outro mito criado sobre nós nos Estados Unidos da América é que somos sexualmente selvagens e más. Este mito legitimou a violação de mulheres negras durante a escravatura, a nossa exploração sexual após a emancipação e ainda justificou o menor número de relações inter-raciais entre nós e os homens brancos, comparativamente ao número de relações inter-raciais entre homens negros e mulheres brancas.

O mito da mulher negra matriarca e desmasculinizadora do homem negro, erra, na visão de bell hooks ao chamar de matriarca quem garante o papel de mãe e o sustento económico, tendo pouco ou nenhum poder político e social. bell hooks atribui a desmasculinização do homem negro não à mulher negra, mas ao racismo que o explora economicamente de tal forma que lhe fere a sua dignidade humana. Acusa como grande difusor deste mito Moynihan, que num relatório feito após a escravatura, caraterizava as famílias negras como disfuncionais devido à “excessiva afirmação” da mulher negra que conduzia à desmasculinação do homem negro. bell hooks justifica esta disfuncionalidade no sofrimento, na ausência de afeto e no quotidiano violento que sofremos na escravatura e que continuamos a sofrer após a emancipação.

Esta autora defende o feminismo como uma luta absolutamente necessária para nós, não para que exijamos ser igual aos homens (brancos) pois não pretendemos ter direitos à exploração económica e à dominação racial e imperialista, não pretendemos usar o poder que “nega a unidade, a conexão comum e é inerentemente diviso”; mas porque buscamos liberdade, ou seja, “a igualdade social que garante a todos a oportunidade de modelar o seu destino e só pode ser completa quando o nosso mundo não for mais racista e sexista”.

O feminismo é para bell hooks a luta que destrói a hierarquia sexual, racial e de classe na medida em que reconhece a união entre os sistemas de opressão e a necessidade de agir eficazmente entre estes, rompendo com os mecanismos que nos separam, que nos fazem competir ou dominar.

Tomar consciência e dizer-se feminista é insuficiente para se ser feminista. Ser feminista na visão de bell hooks é o ato de trabalhar conscientemente para nos conduzirmos para fora da socialização negativa. “Ser feminista é querer que todas as pessoas, femininas ou masculinas, se libertem dos padrões dos papéis sexistas, da dominação e da opressão”.

A Plataforma disponibiliza a tradução deste livro em português no site, na esperança de que mais do que dizermo-nos feministas, possamo-nos inspirar na sua leitura e agirmos unidos contra os sistemas que nos oprimem.

Clica aqui para descarregar  Não Sou eu uma Mulher_traduzido

 
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Publicado por em Dezembro 10, 2014 in Plataforma Gueto

 
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Publicado por em Novembro 30, 2014 in Plataforma Gueto

 

Apelo a mulheres e homens negros para serem entrevistadores na caraterização da comunidade negra e da expressão do racismo em Lisboa e Setúbal

Qual a taxa de desemprego dos negros e das negras em Portugal? Quantos somos? Quantos já foram vítimas de racismo? Qual o nosso nível médio de escolaridade? Onde moramos? Que profissões desempenhamos? Quantos já foram agredidos por forças policiais?

Estas e outras perguntas estão por responder devido à sistemática recusa do governo português em recolher dados sobre as questões raciais neste país. Como refere a Comissão Europeia do Contra o Racismo e a Intolerância “Vários relatórios internacionais notaram que as autoridades portuguesas se têm recusado a recolher qualquer informação sobre a discriminação racial” (ECRI, 2002, CoE 2006). Esta recusa permite ao governo português invisibilizar a nossa presença e perpetuar a intensidade dos nossos problemas relacionados com o racismo.

Uma das justificações para essa recusa é que esse tipo de dados irá reforçar o racismo. O racismo é todos os dias reforçado pelo discurso mediático e oficial, bem como pelas ações das instituições e das pessoas. Na verdade, estes dados já são recolhidos de forma disfarçada por várias instituições, como escolas, polícias e programas de intervenção social que os utilizam de forma racista.

Para a Plataforma Gueto a perceção desses números virá evidenciar o racismo em Portugal, revelar a sua expressão, dando verdadeiro sentido à sua utilização: na luta contra o racismo.

É com este objetivo que apelamos à colaboração de negras e negros para aplicarem o questionário de caraterização da comunidade negra e expressão do racismo em Lisboa e Setúbal.

Pretendemos entrevistar 500 negras e 500 negros, num total de 1 000 entrevistados  e pedimos a tua ajuda nessa inquirição em resposta ao emailguetoplataforma@gmail.com, até ao dia 30 de novembro, manifestando a tua disponibilidade para realizares entrevistas.

 
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Publicado por em Novembro 29, 2014 in Artigo

 

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Carta da Plataforma Gueto ao Embaixador da Holanda em Portugal sobre Zwarte Piet

 

 

Plataforma Gueto,  28 de novembro de 2014

Contato:guetoplataforma@gmail.com

 

 

Sua excelência Embaixador da Holanda em Lisboa, Govert Jan Bijl de Vroe

Avenida Infante Santo, 43-5°

1399-011 Lisboa

 

Caro Embaixador, a “Plataforma Gueto” – movimento social negro anti-racista radicado em Portugal –  vem por este meio apelar à sua atenção, respeitante ao caso da figura ”Zwarte Piet”, que integra uma tradição praticada no seu país.

Manifestamo-nos profundamente indignados com a utilização abusiva da nossa imagem, no âmbito das comemorações de “Sinterklaas”. Consideramos que a continuação dessa prática é altamente ofensiva e depreciativa da imagem e dignidade de todos os negros, o que é percepção comum da nossa comunidade.

A história de zwarte piet demonstra que é uma criação tudo menos inocente, e que não há nada que justifique a sua existência. É largamente conhecido o impacto que representações como essa podem ter na mente das pessoas. É um facto inegável, que o uso dessa figura reforça os estereótipos e preconceitos existentes dirigidos aos negros, uma vez que alimenta crenças na superioridade dos brancos através da ridicularizaçao da imagem dos negros. Consequentemente, o seu caráter racista é incontestável. A vivência de uma cultura pode-se desenrolar perfeitamente sem se basear no rebaixamento de povos de origens raciais ou culturais diferentes, sobretudo num país que se diz democrático, como a Holanda.

Tendo em conta a sua posição e responsabilidades, enquanto Embaixador, fazemos aqui um apelo, para que sua Excelência acione todos os meios ao seu alcance, com vista a pôr termo definitivo ao uso da nossa imagem nessas comemorações. Despedimo-nos com os melhores cumprimentos, na esperança de que o bom senso impere na sua decisão.

 
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Publicado por em Novembro 28, 2014 in Plataforma Gueto

 

Declaração de Solidariedade Pan-africana com o povo Burquinabê

thomas_sankaraOs eventos de 31 de outubro de 2014, levados a cabo pela         revolta popular que removeu Blaise Campaore do poder constituiram um ponto de viragem para a toda a região e, provavelmente, para África como um todo.

As ações do povo Burquinabê expôs os arautos da desgraça e os incrédulos que acreditam que única coisa que sai de Africa com origem Africana é a desgraça. O povo Burquinabê mostrou a todos que o único caminho que o povo Africano deve seguir se quiser a paz, a prosperidade e o progresso, é o caminho da luta popular.

Na década de 1980, o país do povo vertical ou incorruptível, (significado de Burkina Faso) deu a África, um de seus mais ilustres filhos na pessoa de Thomas Sankara. Sankara embarcou num programa de reformas progressistas que fez do Burkina Faso uma nação invejada em África e no Mundo.

Depois de apenas alguns anos no cargo de Presidente, Thomas Sankara foi assassinado a 15 de outubro de 1987 por Blaise Compaore, quem ele considerava seu amigo e camarada de maior confiança. O espírito de Sankara, líder lendário e carismático, que poderia ter transformado o continente se ele não nos tivesse deixado tão cedo, triunfou durante estes acontecimentos recentes, como um fator unificador. O povo Burquinabê ao agir contra as tentativas corruptas de Compaore de permanecer no poder indefinidamente confirma uma das máximas mais famosas de Sankara que diz: “Os revolucionários podem ser mortos a qualquer momento, mas o que ninguém pode matar são as suas ideias”.

A História ancestral da luta pela libertação da África do colonialismo triunfou com o advento da independência política. No entanto a visão de libertação total continua a ser ilusória e ainda hoje, encontramo-nos numa situação de incapacidade de decidir o nosso destino sem interferências externas, cuja causa fundamental advém da falha dos progenitores da nossa independência política.

Muitos deles se tornaram complacentes com os resultados da sua luta e limitaram-se confortavelmente a imitar o sistema colonial com as mesmas estruturas de exploração dos seus compatriotas, a maior parte do tempo atuando somente como meros agentes do sistema imperialista mundial.

Eles preferiram desfrutar dos ganhos que seu novo estatuto político lhes conferiu, ao invés de abordar os requisitos essenciais da independência. Esqueceram-se que a unidade e incentivo que facilitou o alcance da independência tinham que continuar, particularmente porque as forças coloniais e imperialistas continuam a fazer de tudo e a utilizar todos os meios para recuperar o que perderam no processo.

No contexto globalizado de hoje, tal como no passado, é inevitável que qualquer ganho que nosso povo tenha alcançado, faça com que as forças imperialistas se unam para pôr cobro a esses avanços. Qualquer revolta popular genuína ou concebida por agentes externos, como se verificou no norte da África, ou em outro lugar, nos últimos anos, a necessidade de vigilância é um fator essencial.

A mensagem que veio da juventude nas ruas de Ouagadougou para o resto do continente e do mundo foi clara:

NÃO DEIXE QUE SUA CONSTITUIÇÃO SEJA ALTERADA PARA ACOMODAR OS OPRESSORES DO POVO. O QUE NOS FIZEMOS TAMBÉM É POSSÍVEL EM OUTROS LUGARES.

Apesar do movimento glorioso do povo Burquinabê, muito mais precisa ser feito para assegurar que a Victória do povo não seja usurpada pelas forças reacionárias como já aconteceu no passado. O que é necessário é audacidade e mais audacidade.

Acreditamos que a erosão dos valores éticos fundamentais implementados durante a revolução de Sankara tais como a promoção de parcerias a nível nacional, continental e internacional para assegurar que os efeitos sufocantes da globalização e a imposição de políticas neoliberais, dificultaram a progressão da ação concertada das forças progressistas no sentido de atingir a libertação total. Por isso, ao povo Burquinabê, exortamos que:

CONTINUEM A ORGANIZAR-SE NAS BASES, PARA QUE A VITORIA SEJA APENAS VOSSA E DE MAIS NINGUEM. NÓS E TODA A HUMANIDADE EM LUTA PELO MUNDO E NO CONTINENTE AFRICANO LEVANTAMO-NOS FIRMEMENTE PARA VOS SUPORTAR EM SOLIDARIEDADE!

Nós expressamos nossa total concordância com a declaração feita por líderes da oposição Burquinabê e ativistas que diz:

“A VITÓRIA NASCIDA DESTA REVOLTA POPULAR PERTENCE AO POVO, E A TAREFA DE GERȆNCIAR A TRANSIÇÃO PERTENCE DIRECTAMENTE AO POVO. EM NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA PODE ISSO SER CONFISCADO PELO EXÉRCITO”.

O que precisa ser destacado é que o resto de África e os africanos em todo o lado, devem fazer para sustentar as mudanças progressivas que continuam a ocorrer, garantindo que elas permaneçam no seu curso correto levando a maior justiça social para as massas do nosso povo.

Nos próximos três anos, pelo menos doze países africanos serão confrontados com situações políticas semelhantes como a enfrentada por Burkina Faso – Angola, Burundi, Chade, Congo-Brazzaville, República Democrática do Congo, Djibuti, Guiné Equatorial, Gâmbia, Ruanda, Sudão, Togo e Uganda – onde os governos podem recorrer e alguns recorreram já a meios duvidosos ou ilegítimos para ficar no poder contra a vontade do povo e para inviabilizar alternativas políticas pacíficas. Para alguns desses países já começou o processo de luta.

Nós juntamos nossas vozes a chamada de união de todas as forças progressistas da África global a tomar uma posição na luta, e solidariedade com a causa do povo Burquinabê, que ainda corre o risco de ver a sua vitória contra a opressão militar neocolonial liderada pelo regime deposto de Campaore a ser sequestrada por forças reacionárias, que vão tentar mais uma vez uma repetição e perpetuação do regime militar.

Por todo o continente onde os ditadores continuam ainda no comando, as massas africanas estão a aprender com a experiência política recente de Burquina Faso e estão em total solidariedade com o povo Burquinabê pela sua realização histórica de acabar com um regime opressivo de 27 anos.

Unidos na luta Pan-africanista contínua de alcançar o melhor para nosso povo, apoiamos fortemente os nossos irmãos e irmãs Burquinabês pela Victória por eles conseguida.


As organizações abaixo-assinadas:

  1. All-Afrikan Students Union Link (Europe) – União de Todos os Estudantes Afrikanos Link (Europa)
  2. Black Activists Rising Against Cuts (UK) – Ativistas Pretos levantando-se Contra os Cortes (Reino Unido)
  3. Cercle de Reflexion Kwame Nkrumah (Belgium) – Reflexion Kwame Nkrumah Círculo (Bélgica)
  4. Don’t Be Blind This Time (Switzerland) – Não Seja Cego Novamente (Suiça)
  5. Global Afrikan Congress (UK) – Congresso Global Afrikano (Reino Unido)
  6. Grassroots All-Afrikan Women’s Sisterhood of the Grassroots Women’s Internationalist Solidarity Action Network (UK) – Irmandade de todas Organizações de base da Rede de Ação Internacionalista de Solidariedade (Reino Unido)
  7. Humanitarian Organisation Icumbi (Russia) – Icumbi Organização Humanitária (Rússia)
  8. Ínterim National Afrikan People’s Parliament (UK) – Parlamento Interino Nacional e Popular Afrikano (Reino Unido)
  9. Ishema Party (Scotland) – Partido Ishema (Escocia)
  10. Kilombo Network (Ghana and UK) – Rede Kilombo (Gana e Reino Unido)
  11. Moyo wa Taifa Pan Afrikan Women’s Solidarity Network – Coração da Nação Rede de Solidariedade Pana Afrikana de Mulheres
  12. Organising for Africa (UK) – Organizando por Africa Reino Unido
  13. Organisation Sociale Africa Union (Russia) – Organização Social União Africana (Russia)
  14. Pan African Institute for Development (Ghana) – Instituto Pana Africano para o Desenvolvimento (Gana)
  15. Pan African Union (Sierra Leone) – União de Pana Africano (Serra Leoa)
  16. Pan-Afrikan Forum (Ghana) – Fórum Pana Africano (Gana)
  17. Pan-Afrikan Liberation Solidarity International of the Global Justice Forum – Libertação e Solidariedade Internacional Pan Afrikana do Forum de Justiça Global
  18. Pan-Afrikan Network (Europe) – Rede Pan Afrikana (Europa)
  19. Pan-Afrikan Reparations Coalition (Europe) – Coligação Pan Afrikana de Indeminizações (Europa)
  20. Peace and Love for African Youth (Ethiopia)
  21. Zimbabwe Pan Africanist Youth Agenda (Zimbabwe)

 

18 de Novembro 2014

Londres, Reino Unido

Português

 
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Publicado por em Novembro 22, 2014 in Plataforma Gueto, Tradução

 

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UMA MANIFESTAÇÃO NÃO É UM EVENTO – COLOMBO É VASCO DA GAMA

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Apenas 143 mulheres e homens negros a trabalhar no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, no passado dia 26 de outubro entre as 11h00 e as 12h30, confirmam o impacto do racismo no trabalho em Portugal.

Naquele que foi até bem pouco tempo o maior centro comercial da Península Ibérica em número de lojas, no qual foram criados mais de 5 000 postos de trabalho, mais de 340 lojas, uma quantidade e variada oferta comercial com capacidade de receber 27 milhões de visitantes anuais, como propagandeou em 2009 o diretor geral da Sonae Sierra, empresa proprietária deste centro comercial, verificamos a presença quase invisível de mulheres e homens negros a trabalhar.

Colombo, “descobridor” de terras povoadas, afinal repete o que a Plataforma Gueto já tinha denunciado no Centro Comercial Vasco da Gama: a nossa quase impercetível presença no setor comercial é mais concentrada na área da restauração, com mais de metade do número de mulheres e homens negros contabilizados em todo o centro comercial – 76 trabalhadores. Da mesma forma como já verificado no centro Comercial Vasco da Gama, na área da restauração o número de mulheres negras trabalhadoras é também mais que o dobro que o número de homens negros a trabalhar (68%) – 52 mulheres negras e 24 homens negros.

 Restauração (76 trabalhadores), hipermercados (19 trabalhadores), acessórios, calçado e acessórios (17 trabalhadores) são as áreas onde verificamos maior número de negras e negros a trabalhar no Centro Comercial Colombo. Também aqui se repetem as duas primeiras áreas com mais negras e negros a trabalhar, observadas no Centro Comercial Vasco da Gama.

O Centro Comercial Colombo com 22 áreas comerciais distribuídas por mais de 340 lojas e 53% de negras e negros observados a  trabalhar neste período do dia concentrados na área da restauração, revela a racialização do trabalho neste país. 
O Centro Comercial Colombo com nenhuma negra ou negro a trabalhar neste período do dia nos setores das óticas, dos concertos rápidos, das fotografias e fotocópias, do lazer, tempos livres, cultura, música, livrarias, tabacarias e press center e apenas 1 homem negro no setor bancário, revela o racismo no trabalho desta grande superfície comercial.

A política de contratação dos centros comerciais é consentânea com a sociedade portuguesa capitalista e racista, que exerce para seu enriquecimento, poderes de dominação e exploração sobre negros e negras.

Na marcha do 1º de maio, vociferamos as palavras de ordem “trabalho e racismo é mais colonialismo”.  Em mais uma visita por um Centro Comercial de Lisboa, constatamos  que não são palavras faladas ou escritas em papel.  
Denunciar este sistema é  uma das formas de luta que temos de fazer para nos libertarmos dos porões onde os exploradores racistas nos teimam manter.
 
 

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UMA MANIFESTAÇÃO NÃO É UM EVENTO

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No passado 1º de maio a Plataforma Gueto organizou uma manifestação na qual  negras e negros marcharam unidos contra o racismo no trabalho,

Porque uma manifestação não é um evento, estamos a prosseguir a luta e a aprofundar o manifesto dessa marcha, identificando evidências do racismo nas nossas vidas de forma a conhecermos o impacto real desta opressão e delinearmos formas de resistência ajustadas à nossa realidade.

Iniciando a reflexão sobre esse manifesto a partir do seu primeiro parágrafo no qual se afirma que “negros e negras estão sobre-representados em setores como a limpeza, trabalho doméstico, a hotelaria, a restauração e a construção civil no mercado de trabalho cada vez mais racializado.”, mulheres unidas contra o racismo fizeram no passado domingo 7 de setembro entre as 11h00 e as 13h00 uma visita ao Centro Comercial Vasco da Gama, na cidade de Lisboa, uma zona considerada nobre, totalmente reabilitada para a Exposição Mundial de 1998.

Sobre este centro comercial importa referir que, tal como todas as grandes obras realizadas em Portugal, foi construído por mão-de-obra imigrante e principalmente negra. Para além disso, neste local existia um vasto núcleo de barracas onde residia uma população maioritariamente negra e imigrante, à qual além de ter sido feita a promessa de realojamento foi dito que os postos de trabalho criados nesse local também seriam para eles.

Importa relembrar que Vasco da Gama, nome atribuído ao Centro Comercial visitado, foi um dos mais prestigiados navegadores portugueses, comandante dos primeiros navios a navegar da Europa para a Índia, digno de lhe ser dedicada a obra “Os Lusíadas” de Luís de Camões. Para os negros e negras apenas retemos deste navegador a pilhagem de especiarias, riquezas e conhecimento obtidos pela escravidão de outros povos e saque em terras alheias. A façanha que a história ocidental chama de descobrimentos é uma página triste na História das negras e dos negros.

O Centro Comercial Vasco da Gama tem 170 lojas e anuncia-se no seu site como acessível por transportes públicos ou por viaturas automóveis dispondo de 2 700 lugares de estacionamento. Afirma-se como um local com uma vasta oferta comercial e esplanadas com vista sobre o rio Tejo.

 No domingo 7 de setembro entre as 11h00 e as 13h00, identificámos 87 negras e negros trabalhadores nas 170 lojas deste Centro Comercial. Destas 87 pessoas negras trabalhadoras, 52 trabalhavam na área da restauração (60%), das quais 36 eram mulheres e 16 eram homens.

Na área da restauração 10 dos 52 trabalhadores negras e negros trabalhavam na cozinha, distantes do contato direto com o cliente (7 mulheres e 3 homens). Contabilizamos também 3 homens negros em funções de segurança em lojas, onde supostamente se considera maior a possibilidade de furto, e 2 mulheres negras na limpeza.

É um facto que estamos sub-representados atrás dos balcões de atendimento, porque a nossa cor de pele não serve o marketing do produto e do negócio. No site do Centro Comercial Vasco da Gama são indicadas 12 tipologias de lojas desde moda e acessórios, passando por telecomunicações, brinquedos, ouriversarias, entre outros. Na nossa observação visualizámos negras e negros a trabalhar essencialmente em 3 tipologias: Alimentação, Hipermercados e Cinemas.

 Neste início de missão de concretizar com dados as afirmações do manifesto que levámos à rua no passado 1º de maio, é-nos possível comprovar pela observação do Centro Comercial Vasco da Gama no dia 7 de setembro entre as 11h00 e as 13h00, que o racismo fez-nos construir um edifício comercial que emprega centenas de pessoas, das quais apenas 87 têm pele negra, estando 60% destes trabalhadores negros afetos à restauração, área de trabalho onde se praticam horários, salários e condições de trabalho precários e exploradores.

Confirmámos no período observado que os gestores e gestoras dos recursos humanos das lojas do Centro Comercial Vasco da Gama racializaram a contratação, ao visualizarmos apenas 82 pessoas negras a trabalhar nas suas 170 lojas, estando mais de metade destas pessoas na área da restauração.

Uma manifestação não é um evento. É uma ação coletiva e contínua. A nossa invisibilidade neste centro comercial dá voz às palavras de ordem dessa manifestação. No Centro Comercial Vasco da Gama somos afastados do balcão de atendimento pela mão racista do sistema deste país. Há racismo neste centro comercial quando nos destinaram durante meses a fio a sua construção, e depois de construído reservaram-nos os dias para servir na sua área de restauração e as noites e madrugadas para o limpar.

Como refere o manifesto da marcha contra o racismo no trabalho, negros e negras “constroem casas onde nunca poderão viver; limpam corredores de universidade que não poderão frequentar; cozinham em restaurantes onde não poderão comer; auxiliam em hospitais onde nunca serão atendidos; são lojistas em lojas onde são clientes indesejáveis; caixas em supermercado onde cada vez é mais difícil encher o carrinho de compras; cuidam dos filhos das patroas durante muito mais tempo do que alguma vez poderão cuidar dos seus.”

A luta contra a opressão racista não pode ser feita por episódios. Daremos continuidade à demonstração de que o racismo no trabalho existe em Portugal e que é premente denunciar e resistir ao seu silenciamento.

 Até lá deixamos o convite para a recolha de outras evidências e reflexões.

 
 

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